sexta-feira, abril 28, 2006

Post it
Pois que estou de abalada para Praga e Viena, para uma semaninha muito bem passada (espero) com o meu Cavaleiro Andante!
O medo de andar de avião e as saudades das minhas gatas mais lindas não foram mais fortes que a vontade de passear, namorar e encher a cara do meu mano de beijocas fofas e repenicadas e de abracinhos histérico-esmagadores acompanhados de gritinhos e pulinhos ridículos.
Vou de bagagens recheadas com Queijo da Serra, folar, amêndoas, Vinho do Porto, leite com chocolate UCAL, Bolachas Oreo cobertas com chocolate branco, tremoços, raivas (uns biscoitos de Aveiro) e sal grosso. É que não há em Praga e Viena nada destas coisas "essenciais" à vida de qualquer ser humano que se preze.
Bem, ressacada de uma reunião internacional que me deixou a pensar em inglês, a caminho das obras da minha casa nova em Alcântara para receber bancadas de cozinha, sanitários e torneiras, ainda não fiz a mala. Aliás, se pensar que ainda tenho roupa para lavar e secar para levar de viagem, até me dá um treco já aqui, mas eu sou a mulher dos 7 ofícios e sou gaja para ainda ir jantar com os amigos logo à noite!
Com isto tudo, ainda tive tempo para vir aqui postar qualquer coisa de completamente desinteressante e de deixar uns recados na blogosfera:
1- Um grande, grande beijinho ao Miguel, que nasceu no dia da Liberdade, cujo dia-a-dia na (grande) barriga da mãe eu tenho vindo a acompanhar há coisa de muitos meses;
2 - Um carolo de parabéns na testa do Nunzio (mas só amanhã) - vê lá se me compras os bilhetes para Pearl Jam, ouviste?;
3 - Um pedido de coragem acompanhado por um muito obrigado à minha mana Vera, que se disponibilizou para dar de comer, beber e até - vejam só isto - mudar o caixote da areia da Mia e da Bianka, esses felinos perigosíssimos e assustadores que comem pessoas e que vivem lá em casa comigo!
E pronto, é tudo! Vá, desejem-me Boa Viagem!
Boa semana para todos! :)

quinta-feira, abril 27, 2006

Mas afinal...

Sou uma pessoa que está muitas vezes à nora, a apanhar bonés, aos papeis, sei lá, completamente fora dela! Sou distraída e tenho muitos diálogos comigo mesma aos quais prefiro dar ouvidos quando a conversa exterior me aborrece. Basta manter o sorriso, acenar com a cabeça de vez enquando e soltar uns pois e hmm-hmms aqui e ali.
Isto a juntar ao facto de conhecer muita gente. Quantas vezes venho a descobrir números e nomes no meu telemóvel que não sei a quem pertencem, e por vezes até encontro registos do género "Pessoa 1", " Pessoa 2", "Pessoa Bairro Alto", "Nuno Workshop", "Joana Festa", "Tiago do Cão". Gente que conheço por aqui e por ali, e que, depois de ter aprendido por experiência própria a não dar o meu número de telemóvel a desconhecidos, prefiro ficar eu com os números deles.
Mesmo a nível profissional se pensar que nas feiras, por exemplo, falo com uma média de 200 pessoas por dia, que geralmente me colocam sempre as mesmas questões, fica complicado saber quem é quem.
Ainda agora apareceu um Senhor na recepção aqui da empresa para falar comigo, que eu não sabia quem era.
Recepcionista - O Sr. chama-se Rui Mendonça e quer falar consigo.
Mia - Comigo? Mas eu não sei quem é o Rui Mendonça! Qual é a empresa?
Recepcionista - Não sei... ele disse tão prontamente que queria falar consigo que eu pensei que a Dra. sabia do que se tratava.
Mia - Mas ele pediu para falar comigo?
Recepcionista - Sim, nem perguntou por mais ninguém.
Lá vou eu ter com o tal Rui Mendonça à recepção, a pedir aos santinhos para me iluminarem quando lhe visse a cara, porque é uma situação muito chata. Olhei para ele e NADA!! Como se o estivesse a ver pela primeira vez!
Mia - Olá Sr. Rui Mendonça, como está?
Rui Mendonça - Bem obrigado! (mega sorriso) E a Dra.?
Mia - Também está tudo bem, obrigada!
Olhei de lado para a recepcionista que sorria, a topar perfeitamente que eu não estava a ver quem era a pessoa.
Mia - Então...
Rui Mendonça - Olhe Dra., venho aqui deixar-lhe o cartão da nova empresa, como lhe tinha dito. Demorou um bocadinho, mas finalmente já estão prontos.
Mia - Ah...mudou de empresa, foi?
Rui Mendonça - Sim, agora já temos máquinas a 5 cores, por isso torna-se mais fácil.
Mia - Pois é...máquinas a 5 cores... Então a mudança foi boa!
Rui Mendonça - Sim, normalmente quando se muda, tenta-se que seja para melhor, não é?
Mia - (riso forçado) Pois é! Mudar é bom!..
Rui Mendonça - Pois é! Olhe, relativamente ao outro assunto, assim que souber que há uma oportunidade ligue-me, sim? Com as máquinas novas...
Mia - Sim, sim!! Fique descansado!
Rui Mendonça - Bem, não lhe ocupo mais o tempo. Foi um prazer!
Mia - Até à próxima!!
Já li e reli o cartão do Rui Mendonça e continuo na mesma! Não sei quem é o senhor, nem o "outro assunto" a que ele se referia. Os dentes dele não me são totalmente estranhos, mas não consigo identificar onde os vi antes. Bem, resta-me esquecer e preparar-me para o próximo momento Twilight Zone desta minha vida insana.

quarta-feira, abril 26, 2006

Despedidas de solteiro
Faz algum sentido um homem ter data marcada para o casamento e uma semana antes do mesmo alguém pagar para ele andar a chafurdar a cara em mamas e rabos alheios?
Será que o desgraçado acha mesmo que depois de casado morre para o mundo? Que nunca mais vai ver ao vivo mamas, rabos e pipis? Que nunca mais ninguém lhe dará tusa ou lhe fará um bico? E se acha, porque raio é que se vai casar? Ou está simplesmente a passar um atestado de anti-tusa e inutilidade sexual à futura esposa?
Não sou contra as despedidas de solteiro, gosto rituais simbólicos de passagem e acho que se deve festejar sempre que o motivo é bom - por vezes também festejo os maus motivos, mas isso sou eu que gosto muito de festas.
E também não sou contra o strip, muito pelo contrário! Acho que um strip bem feito, principalmente o feminino, é sensual, artístico e até excitante. Quanto ao masculino.... bem, na verdade os que vi foram todos do mais manhoso que há: homens feios de cabelo rapado, corpos demasiado musculados e oleosos, sem pelos, de tanga, com ar de quem prefere um pilão oleado pelo rabo acima do que me seduzir a mim. Às tantas nunca fui aos sítios bons!
Os verdadeiros culpados desta cegada toda são os amigos do noivo. Ansiosos por se rebarbarem com mamas, arranjam a desculpa de que "é para o noivo" e toca de montar a marosca para o desgraçado que, o mais provável é estar já tão bêbado que na hora H nem consegue levantar orgulhosamente a "bandeira" e provar que é homem.
E isto para mim, às tantas porque sou mulher, é simplesmente patético e de uma enorme falta de respeito. Ora, se eu tenho uma relação monogâmica com um tipo, como posso eu aceitar que ele, depois de decidir casar-se comigo, se ande a esfregar numa tipa qualquer?
E não me venha ele com a história do "ah e tal, era uma despedida de solteiro, nem fui eu que a combinei, quando dei por mim o Tó Jó e o Quim já tinham pago à tipa, e eu nem vi bem a coisa, e eu amo-te e quero que sejas a mãe dos meus filhos, e....e.....oh amor, ela até era feiosa, minha flôr, oh meu docinho não fiques assim..." .
Bom.
Aproveitando aqui o tema, quero avisar toda e qualquer amiga que um dia eu convide para uma hipotética despedida de solteira, que não quero nada na minha festa com o motivo "Pila". Não é simplesmente deprimente aquelas noivas a passearem-se nas Docas com véus com pilas penduradas, e com umas pilas-lanternas nas discotecas? Tenho sempre a sensação que isso é coisa de gente sem dentes, que usa o cabelo frisado e que vai ter o vestido com mais folhos e balões nas mangas que puder!

segunda-feira, abril 24, 2006

Um dia de cada vez
Por aqui a chefia não dá abébias, por isso tive que vir trabalhar.
Trabalhar é como quem diz, porque o meu espírito já é totalmente festivo com o feriado de amanhã e a minha viagem a Praga e Viena já no próximo sábado.
Sinto-me como o Calvin (Calvin & Hobbes) depois de comer três taças de bombocas de açúcar com leite aos sábados de manhã: hiperactiva e sem concentração!
Por outro lado, se não viesse trabalhar não poderia fazer a minha Dança da Vitória para os meus colegas benfiquistas e sportinguistas - que consiste em movimentações completamente disparatadas de braços, pernas e anca, sem qualquer coordenação, ao mesmo tempo que rebolo a cabeça energicamente de um lado para o outro e canto "Alé Porto Alé".
Enfim, há que aproveitar as pequenas vitórias que a vida nos dá para rir sem dó nem piedade das máguas dos outros!
E assim se adivinha o meu dia, inútil como qualquer dia de ponte em que nos obrigam a vir trabalhar. A saltitar de mail em mail, de blog em blog, de cigarro em cigarro, de converseta em converseta até às 6 da tarde! Hora em que eu, alegrementa saltando e rindo, vou para casa aspirar o meu quarto que por estas alturas anda submerso em pelo de gato.

quinta-feira, abril 20, 2006

Basta pum basta!
Não confio nas pessoas que não cometem excessos! Não há nada mais suspeito que gente certinha. Se não mostram as suas irregularidades, é porque as fazem escondidas dos olhares dos outros, por isso são gente escabrosa! Não confio nessa gente, e pronto!
Quem nunca comeu caramelos até ficar enjoado, nunca andou com nódoas na camisola, nunca fumou um cigarro, nunca deu uma foda de encontro à parede, nunca soltou uma gargalhada sonora em público, nunca deu um tralho no meio da rua, nunca se deitou sem lavar os dentes, não merece a minha confiança!
E tenho dito!!!
Morra o aborrecido, morra! Pim!
Mia

Poeta D`as Horas Vagas, Futurista e Tudo

terça-feira, abril 18, 2006

A Recepcionista
ou
Como afinal de contas eu não estou mal de todo!*

Mia - Boa tarde, eu queria marcar uma consulta para a Dra. Margarida.
Sra. Recepcionista - Ora bem....para a Dra. Margarida....isto está complicado, deixe ver aqui na agenta. Só um minuto, sim?

(Som de fundo de uma grande cantoria religiosa, com aquelas vozes de mulher esganiçada que vai rua abaixo a segurar a velinha na procissão.)

Sra. Recepcionista - Estou sim?
Mia - Sim, sim! Mas que grande animação que praí vai!
Sra. Recepcionista - Pois é! (risinhos) É a televisão, estamos aqui a ver o funeral do Francisco.
Mia - De quem?
Sra. Recepcionista - Do francisco, o Dino dos morangos!
Mia - Ah...pois....
Sra. Recepcionista - Coitadinho....Pronto, olhe....é assim mesmo... Ora então diga lá!
Mia - ...era para marcar a consulta com a Dra. Margarida...
Sra. Recepcionista - Ah pois era! Espere lá um minutinho que vou ver a agenda! Olhe que não está fácil!Não está fácil!!

*Para primeiro contacto com consultório de psicólogos, não estou nada mal!

sábado, abril 15, 2006

Depilação - Manual para o macho pouco informado
Mulher que é mulher sabe a tortura que é a depilação.
E estou a falar de mulheres a sério, não daquelas cabras frias que têm um pelinho fininho e semi-transparente aqui e ali.
Quando falo de tortura não me refiro exclusivamente à dor - que dependendo das zonas pode ser considerável, mas só assim de repente consigo lembrar-me de mil coisas piores que isso - mas a todo o planeamento que a depilação implica.
Primeiro marca-se a depilação, o que nem sempre é fácil, principalmente às sextas-feiras quando começa o tempo quente.
Depois vem a fase de mentalização "vai doer, mas compensa", é altura de pensar no quão fabulosa vou ficar naquela saia da nova colecção.
Quando a dita cuja começa já não há volta a dar. Lá está a mulher deitadinha de pernoca peluda à mostra e punhos serrados. O difícil é não ceder à tentação de desatar numa berraria de palavras feias, ou de esmurrar cavernosamente a depiladora na cabeça com os pacotes de cera ainda por derreter.
A sessão acaba, toda a gente está feliz e contente e toca de pegar nas tralhas e apresentar ao mundo a pernoca devidamente depilada: Praia!
E nesta fase chegamos sempre à conclusão que uma depilação nunca é perfeita. Lá estão eles, os super-pêlos, aqueles que resistem à mais minuciosa das depilações! Dá vontade de esquecer as regras básicas das Princesas e levar uma pinça para a praia para passar a tarde à cata desses filhos da mãe!
Isto sem pensar nas zonas que a própria pessoa não vê que tem pelos e que às tantas a depiladora se esqueceu de tirar! É uma coisa que me atormenta desde que vi uma rapariga muito gira, com um bikini pequenino todo fashion, a virar-se de costas, baixar-se para apanhar a toalha e mostrar ao mundo um tufo de pilosidade pouco usual num sítio também muito pouco ortodoxo.
Mas a coisa não fica por aqui! Ora, a pessoa faz a depilação a contar que ela dure de forma apresentável aí umas duas semanas, porque depois desse tempo (que para algumas mulheres é bastante menor) a pernoca começa a ficar com aquele aspecto de barba mal parida, que mesmo que não se note grande coisa é desagradável ao toque.
E depois dessas duas semanas maravilhosas começa a neura! Os pêlos já se notam, mas são pequenos demais para tirar.
Se mesmo assim os tiramos, depois temos que fazer depilação de dois em dois dias, porque eles não crescem todos ao mesmo tempo.
Se os deixamos crescer fortes e saudáveis, corremos o risco de levar um tiro em plena Costa da Caparica por pensarem que o Abominável Homem das Neves anda em trajes menores a rebolar alegremente à beira-mar.
E a comichão quando o pêlo cresce? Meus caros, se nas pernas já é o que é, imaginem quando a pessoa até é arrojada e decide fazer uns penteados mais desbastados "lá em baixo". É que se o homem se coça onde e quando quer, já a mulher é outra história!
E pêlos encravados? E quando eles encravam nas virilhas?? É o autêntico terror! Lá anda a jeitosa a passear-se pela praia com borbulhas gosmentas, vermelhas e infectadas.
Sim, a depilação é uma grande chatice, gasta-se dinheiro, perde-se tempo e paciência, mas é das poucas situações em que não sigo o ditado "não faças aos outros o que não queres que te façam a ti".
Se és homem e tens pêlos nos ombros e nas costas, faz um favor a ti mesmo e a quem te rodeia: faz a depilação!!
Maior anti-tesão que um homem todo nú com meias brancas até aos joelhos, só um homem todo nú com meias brancas até aos joelhos e com tufos de pelos nas costas.

quarta-feira, abril 12, 2006

Ali a minha amiga Pipoca passou-me a bola, por isso aqui vão os meus top 5 de pânico e medo:
1 - Tenho pânico de aranhas, aranhiços, aranhões, tarântulas, aranhinhas!!!! Medo, muito medo! É o meu verdadeiro pânico! As figuras mais bizarras que fiz foram todas por causa desses seres horripilantes (sem contar com aquela vez que fiquei entalada com a minha prima ao colo, numa mesa presa ao chão de um restaurante japonês). Salto, grito, ando às voltinhas e aos pulinhos a sacudir cabelo, roupa, mala, sapatos. Uma vez no escritório dei um berro agudo quando apareceu no ecrã do computador um pop up com uma tarântula peluda e cheia de olhos. Claro que se o pessoal já pensava que eu eu não jogava com o baralho todo, naquele momento tiveram a certeza! Só de escrever sobre isto fico toda arrepiada!!
2 - De gritar e não sair som. É o desespero! Quando era mais pequena tinha um sonho recorrente que me estavam a assaltar a casa, os meus pais dormiam e eu queria gritar e não me saía qualquer som da garganta! Acordava em pânico e a chorar.
3 - De cair das escadas e partir os dentes. É um pensamento que às vezes me ocorre quando desço escadas, sei lá eu porquê! Lá vou eu agarradinha ao corrimão...
4 - De andar de avião. Mais precisamente da descolagem. A minha figura mete dó. A última viagem de avião que fiz foi a nível profissional e levantei voo de mãos dadas com a minha chefe.... Quão ridícula pode uma pessoa ser?!
5 - De dar um valente tralho em palco. Sou uma pessoa que cai com facilidade. Tal como parto coisas, bato com a cabeça, fico com os bolsos das calças presos nas maçanetas das portas. Normalmente quando caio em público fico algum tempo no chão sem me conseguir levantar de tanto rir. Mas no meio de um espectáculo seria uma coisa muito difícil de ultrapassar.
E posto isto, passo a palavra aos seguintes blogueiros:

segunda-feira, abril 10, 2006

The office

Chefe da Mia: Blá blá blá blá blá blá!!!! Blá, bláblá... Blá blá blá blá, blábláblá. Blá bláblá? Bláblá blá blá, blá blá bláblábláblábláblá (bláblá blá blá!) Bá bláblábláblá!!! Hahahahaha!!! Blá blá báblábláblá.
Mia: Hum hum...
Chefe da Mia: Blá! Bláblábláblá blá lá? Bláblá, blá blá blá! Hahaha! Blá?
Mia: Hmm hum...
Chefe da Mia: Oh Mia, você hoje está bem, ou quê?
Mia: Ou quê.

Fim da conversa.

sexta-feira, abril 07, 2006

O Mundo, pelo que estás a pensar

Ainda bem que existe o pensamento! Ainda bem que temos a possibilidade de falar sem ninguém nos ouvir. Se eu verbalizasse tudo o que penso acabava como uma velha sozinha rodeadas de gatos. E mesmo assim, essa possibilidade não está de todo excluída.
É certo que tenho uma certa tendência para dizer disparates. Disparates daqueles que se tivesse pensado duas vezes antes de abrir a boca o mais certo era ter ficado calada.
Mas a minha boca está mais perto do coração do que a da maioria das pessoas. Quando dou por mim, o comentário/pergunta indiscreta já está a pairar no ar, com letras enormes e garridas, luzes neon a piscar e o som de cornetas a tocar. E não há nada a fazer!
Frases como "Oh Mia!!!", "Só tu para perguntares uma coisa dessas!!", "E pronto, esta é a Mia!!", "Eu não acredito!!", "Já te calavas...", "O quê???!!!", são frequentes respostas aos meus pensamentos verbalizados.
Entre certos círculos de amigos já ganhei o difícil estatuto de pessoa-que-pode-dizer-tudo-o-que-lhe-passa-pela-cabeça-sem-que-ninguém-se-ofenda (o estatuto de maluquinha, cá entre nós!), o que exige de mim um especial cuidado e atenção quando há gente nova por perto.
Nem todos os meus "disparates" são na verdade disparatados. Alguns têm mesmo a intenção de fazer rir, de desarmar gente irritante, ou de pôr cá para fora o que todos estamos a pensar e ninguém diz.
No entanto, o que mais me preocupa é saber que penso muito mais sobre as coisas do que aquilo que digo. Ou seja, se as pessoas, pelo que me ouvem dizer, acham que eu sou uma desbocada inconsequente, então a realidade é que eu sou MIL vezes pior.
Eu penso coisas incrivelmente parvas, faço filmes do mais rebuscado que há, tenho sempre uma piada sarcástica adequada ao momento, imagino coisas nogentas com uma facilidade espantosa, consigo ridicularizar ao ínfimo pormenor e tenho sempre um comentário porco na ponta da língua! E a maior parte dessas pérolas mentais guardo-as para mim porque sei que caiem mal em determinado ambiente, podem ofender determinadas pessoas, dão uma imagem de mim que não quero passar, ou porque simplesmente não me apetece partilhá-las.
A verdade meus caros, é que me divirto muito, mas muito comigo!

quarta-feira, abril 05, 2006

Miau Stuff

Há dois tipos de pessoas: as que gostam de gatos e as outras.
Desconfio sempre das pessoas que dizem que não gostam de gatos.
É que, tal como as pessoas, há gatos e gatos!
Há gatos simpáticos e gatos antipáticos, gatos carinhosos e gatos raivosos, gatos inteligentes e gatos burros, gatos extrovertidos e gatos tímidos, gatos nervosos e gatos descontraídos, gatos egoistas, gatos mimados, gatos com a mania da superioridade, gatos comilões, gatos perguiçosos, gatos chatos, gatos vingativos, gatos distraídos, gatos sensuais, gatos manipuladores, gatos sinceros, gatos pervertidos, gatos inconsequentes, gatos hiperactivos, gatos humildes, gatos, gatos, gatos e mais gatos!
Tantos gatos quanto pessoas!
De todos os gatos que conheço (os que vivem com os meus amigos e família, os da rua com quem me vou cruzando por aí), posso falar dos gatos que já viveram comigo. E não digo os "meus" gatos, porque na verdade, os gatos não são de ninguém que não sejam eles próprios. Quem conheçe gatos, sabe do que eu estou a falar.
Assim, relativamente aos gatos que conheço melhor:
  • A Mingaw foi o meu primeiro contacto com gatos. É uma gata de olhos amarelos enormes, com o rabo torto. Tem uma personalidade muito difícil, rosna a estranhos e é completamente apaixonada pelo meu pai, a única pessoa a quem ela faz ronron. É tensa, gosta pouco que lhe peguem ao colo e quando lhe apetece anda desaparecida por uns dias. Não faz as necessidades se estiverem a olhar para ela, uma lady portanto. Só come latas de Wiskas, mas nem todas. Tem 12 anos e vive com os meus pais.
  • O Botas era um gato amarelo, zarolho. Tímido, assustado, comia tudo o que lhe aparecesse à frente a uma velocidade alucinante. Depois vomitava e voltava a comer. Tinha um hálito insuportável e fazia xixi em todo o lado menos no caixote. Apaixonado pela Mingaw, que não lhe ligava nenhuma. Completamente dependente do contacto físico, pedia miminhos, dava turrinhas, era um amor. Morreu atropelado por um carro aos 6 anos de idade.
  • A Bianka tem 3 anos, é uma gata branca linda de morrer, completamente esquizofrénica. Faz questão de me avisar quando o caixote está muito sujo, fazendo cocós por aí. Tem um olhar penetrante, como se soubesse exactamente o que eu estou a pensar. Por vezes quando faço alguma asneira, olho para ela e tenho a sensação que ela me está a julgar. É imprevisível, adora festinhas na cabeça, mas quando se farta é capaz de dar uma dentada. É preciso conhecê-la bem para perceber quando já chega de contacto físico.
  • A Mia é uma gata preta. Tem 1 ano e meio e não tem bigodes. Muito tímida, em vez de miar, geme. Fica tensa quando pegam nela, prefere ser ela a aproximar-se. Foi adoptada como cria pela Bianka, que ficou bem mais calma desde que a Mia apareceu lá em casa. Come pouco, mas de tudo: amendoins, sopa, morangos. Quando eu choro, é a primeira a vir ter comigo e perguntar-me o que se passa.

Eu sou uma pessoa de gatos, a cat person - soa tão melhor em inglês. Os gatos fascinam-me pela quase-perfeição das suas formas, pela sua destreza, inteligência, elegância. São seres que me dão espaço e exigem o seu espaço também. Eu não sou dona de nenhum destes miau-miaus, somos amigos, e como tal, respeitamo-nos!

terça-feira, abril 04, 2006

...
Há cerca de um mês estava sentada numa mesa de café em Alcântara com a minha mãe e o Sr. Serafim, o empreiteiro que ía dirigir as obras do apartamento, que eu tinha acabado de conhecer.
Lembro de se ter falado sobre a instalação de electricidade, da escolha dos azulejos para a cozinha, do orçamento, da infiltração na casa-de-banho. Lembro-me do Sr. Serafim repetir vezes infinitas à minha mãe que ela ficasse descansada, que as obras durariam cerca de dois meses, que ela não se preocupasse, que ele tomava conta de tudo.
Lembro-me vagamente destas conversas.
E lembro-me de, sem qualquer motivo, me ter passado uma ideia completamente parva pela cabeça.
"Este homem vai morrer".
Esta ideia atormentou-me durante uns minutos, mas depois nunca mais voltei a pensar nela.
O Sr. Serafim morreu hoje.
Quando o colega dele me ligou para o telemóvel eu sabia exactamente o que se tinha passado. Não me espantei, não fiquei atordoada, foi só uma confirmação de algo que, sabe-se lá como, eu já sabia.

segunda-feira, abril 03, 2006

Rescaldo
O dia de ontem reuniu as três condições necessárias para ser dos piores dias que a humanidade tem conhecimento. Ok, a humanidade talvez não, mas eu dei bem por esses "acasos" que ontem se conjugaram. A saber:
1- Domingo, o dia da Real-Neura por excelência. O que só por si explica muita coisa;
2- Ressaca - ainda da noite de sexta-feira;
3- TPM (merda de hormonas).
A semana promete, não?

domingo, abril 02, 2006

Nota mental
Hoje tomei verdadeira consciência da figura de pateta que insisto em fazer. Não que me fosse totalmente desconhecido, mas hoje assumiu uma clareza arrepiante.
Porque hoje, ao contrário dos outros dias, não me ri de mim. Não fiquei furiosa comigo. Nem sequer tive pena.
Hoje a consciência de mim deixou-me com a certeza de que não é isto que quero.
E à luz do tempo que passa sei que é um princípio. Ainda não sei de quê, mas sei que é de algo novo em mim.