Guilty Pleasures
Nunca vos aconteceu gostarem de alguma coisa - filme, livro, música, pessoa - que sabem não ser grande coisa (às vezes não valer nada mesmo), mas mesmo assim não conseguirem deixar de gostar?
Pois eu, assumindo o risco de deixar de ter visitantes no Pulfashion, vou confessar-vos algo que costuma perturbar até as mais compreensíveis alminhas.
Ora aqui vai: eu gosto de Boss AC. Pronto, já disse! Gosto de Boss AC!!
Não sei como é que isto me aconteceu, mas quando dei por mim, estava a animadamente a dançar Hip Hop (Sou eu e és Tu), como se não houvesse amanhã! Fiz o download da música (vá, multem-me!!!), e de vez enquando faço figuras ridículas na sala de jantar, com o raio da música aos berros.
Ainda estão a ler?
Tudo começou num Festival Sudoeste, por volta das 6 horas de uma tarde cinzenta. Não estava bom para ir para a praia, por isso fui cuscar os concertos do palco mais pequeno, só numa de curiosidade. O som pareceu-me porreiro e resolvi acotovelar o pessoal de boné Fubu que saltitava de mãos no ar para conseguir chegar ao palco.
Como não reconheci o Artista, restava-me curtir a música ao mesmo tempo que tentava fazer um ar de Yo-Bitch-Kiss-My-Black-Ass bem à maneira, para me integrar. E foi o que fiz!
Já estava completamente na onda, espantada comigo mesma por afinal até estar a gostar daquele género de música, quando começa um refrão que, de tão ridículo, me fez lembrar que já tinha ouvido aquilo em qualquer lado: "baza baza, vai para casa-casa, abre a pestana-tana, qu´isto aqui não é um filme, boy".
A vergonha apoderou-se de mim! Mas eu estou a curtir no concerto do Boss AC?? E a cantar com o dedinho esticado de convicção uma música que diz pestana-tana???, pensei eu!
Mas também não pensei muito mais que isto! O ambiente estava tão envolvente que me deixei ir, e por breves segundos até tive pena de não um boné - sentimento que, para que saibam, não voltou nunca mais!
É este o meu guilty pleasure, e estou convencida que podia ser bem pior, yo!