sexta-feira, maio 26, 2006

Guilty Pleasures

Nunca vos aconteceu gostarem de alguma coisa - filme, livro, música, pessoa - que sabem não ser grande coisa (às vezes não valer nada mesmo), mas mesmo assim não conseguirem deixar de gostar?
Pois eu, assumindo o risco de deixar de ter visitantes no Pulfashion, vou confessar-vos algo que costuma perturbar até as mais compreensíveis alminhas.
Ora aqui vai: eu gosto de Boss AC. Pronto, já disse! Gosto de Boss AC!!
Não sei como é que isto me aconteceu, mas quando dei por mim, estava a animadamente a dançar Hip Hop (Sou eu e és Tu), como se não houvesse amanhã! Fiz o download da música (vá, multem-me!!!), e de vez enquando faço figuras ridículas na sala de jantar, com o raio da música aos berros.
Ainda estão a ler?
Tudo começou num Festival Sudoeste, por volta das 6 horas de uma tarde cinzenta. Não estava bom para ir para a praia, por isso fui cuscar os concertos do palco mais pequeno, só numa de curiosidade. O som pareceu-me porreiro e resolvi acotovelar o pessoal de boné Fubu que saltitava de mãos no ar para conseguir chegar ao palco.
Como não reconheci o Artista, restava-me curtir a música ao mesmo tempo que tentava fazer um ar de Yo-Bitch-Kiss-My-Black-Ass bem à maneira, para me integrar. E foi o que fiz!
Já estava completamente na onda, espantada comigo mesma por afinal até estar a gostar daquele género de música, quando começa um refrão que, de tão ridículo, me fez lembrar que já tinha ouvido aquilo em qualquer lado: "baza baza, vai para casa-casa, abre a pestana-tana, qu´isto aqui não é um filme, boy".
A vergonha apoderou-se de mim! Mas eu estou a curtir no concerto do Boss AC?? E a cantar com o dedinho esticado de convicção uma música que diz pestana-tana???, pensei eu!
Mas também não pensei muito mais que isto! O ambiente estava tão envolvente que me deixei ir, e por breves segundos até tive pena de não um boné - sentimento que, para que saibam, não voltou nunca mais!
É este o meu guilty pleasure, e estou convencida que podia ser bem pior, yo!

quarta-feira, maio 24, 2006

...
Ouve-me, hoje foi o último dia em que acordei e maquilhei a alma e o rosto com cores que já ninguém usa. O corpo há muito que deixou de ser a minha arma, e já nem sequer é meu. Secaram-se-me os seios, mas mesmo assim é o que tenho de melhor para te oferecer. Costumava orgulhar-me deles quando enchiam a palma das tuas mãos. Agora são tristes. O batom vermelho faz de mim ridícula e o risco preto nos olhos que insisto em pintar fica torto à força do tremer das mãos.
Mantive-me numa teimosia absurda de corrigir o que 82 anos fizeram de mim. E como fiz pior... Hoje decidi que vou morrer. Não me vou matar, não teria coragem, fica descansado. Mas decidi que vou deixar-me ir. Quero que esqueças o que te disse acerca do vestido vermelho comprido que queria levar ao meu funeral. Veste-me o preto. Também não quero sapatos. Promete-me!
Deita-te aqui ao pé de mim, meu amor.
Mais juntinho. A partir de hoje, pode ser a última vez.

segunda-feira, maio 22, 2006

O que me faz sorrir

"Passa uma borboleta por diante de mim
E pela primeira vez no Universo eu reparo
Que as borboletas não têm cor nem movimento,
Assim como as flores não têm perfume nem cor.
A cor é que tem cor nas asas da borboleta,
No movimento da borboleta o movimento é que se move,
O perfume é que tem perfume no perfume da flor.
A borboleta é apenas a borboleta

E a flor é apenas flor."


Alberto Caeiro

sexta-feira, maio 19, 2006

O meu pai é o maior!!!

Mia: É só para te dizer que a tua Princesa, o teu orgulho maior, a razão da tua alegria, a tua obra prima, ou seja, eu, chega a Aveiro às 23:25.
Pai da Mia: Ok, então vou-te buscar!
Mia: Vais-me buscar com a tua mota nova?
Pai da Mia: Só se vieres de mochila...
Mia: Sim, levo mochila! Vens com a mota nova??
Pai da Mia: Então sim, fica descansada que lá estarei à tua espera na estação, com um capacete cor-de-rosa.
Mia: Cor-de-rosa??
Pai da Mia: Sim, comprei um preto para mim e um cor-de-rosa para as minhas Princesas!
Mia: A sério??!!! Lindo!!!! Já estou histérica!!! Amanhã leva-me à praia de mota!!!Pode ser?? Levas??

sexta-feira, maio 12, 2006

Sexo e a Cidade VS Cinderela*
Os jogos de sedução podem relevar-se autênticas armadilhas, e os mais perigosos são sempre aqueles que nós próprias construímos. Porque se é mau sermos enganadas, pior é quando nos enganamos a nós mesmas.
Colocamos num pedestal as Samanthas Jones desta vida - mesmo não conhecendo nenhuma - e num rasgo de audácia tentamos ter se não a mesma pedalada, pelo menos o mesmo espírito sexo-pelo-sexo-toma-lá-dá-cá. Convencemo-nos que somos capazes de separar as águas sem qualquer problema e lançamo-nos numa de predadoras implacáveis na busca do prazer sem compromisso.
E há homem que consiga resistir a uma situação deste género?
No entanto, separar o amor do sexo é uma coisa complicada para a maior parte das mulheres. E se o jogo resulta animadamente durante um tempo, depois a coisa começa a complicar-se. Quando damos por nós, passámos de Samanthas a Cindeleras e começa a fazer-nos falta um miminho depois do enrolanço, uma mensagem à noite no nosso telemóvel, alguma partilha de intimidade.
E pronto, está tudo lixado! De um homem feliz e contente por ter cama sem compromisso, passamos a ter um ser masculino completamente baralhado com as recentes e despropositadas exigências femininas. Ser esse que começa a tornar-se esquivo, vago, sentindo-se obrigado a mentir, acabando por desaparecer do mapa sem perceber porque raio é que as mulheres são tão complicadas.
O limite entre o sexo-pelo-sexo e uma relação que implique algo mais é muito ténue no que toca ao universo feminino, quase sempre pronto a abraçar o companheiro por inteiro, não se limitanto aos pontos erógenos. Daí ser tão fácil magoar as Samanthas com egos de Cinderela.
*Para a minha Cinderela favorita! :)

quarta-feira, maio 10, 2006

Personal Jesus
Nestas coisas da fé e do acreditar o terreno é sempre perigoso, e a tendência é cada vez mais para cada pessoa ter o seu "Personal Jesus", construído à sua medida, muitas vezes com influências de religiões e teorias diversas. É mais simpático, adquado ao corre-corre dos dias de hoje, menos trabalhoso, e podemos simplesmente escolher deixar de fora coisas menos divertidas como a culpa, a penitência, o castigo e certas obrigações impostas por algumas religiões.
Faz sentido para mim acreditar que escolhi a família onde nasci, acredito que atraímos o que emanamos, que a maior parte das doenças físicas têm origem no psicológico, que o amor cura e que uma actitude positiva é meio caminho andado para uma vida feliz. Acredito que escolhemos sempre o caminho que seguimos, que somos os únicos responsáveis pela nossa felicidade e que a intuição é uma ferramenta importante a aperfeiçoar.
No entanto, rezo um Pai Nosso quando entro no avião, peço aos meus guias do Reiki que me iluminem, falo com a minha avó Elisa, o meu Anjo da Guarda, quando me sinto perdida, tento aplicar os princípios do Feng Shui na minha casa e tenho uma simpatia especial pelo Sto. António.
Confuso para alguns, esta minha democratização da fé e das crenças faz todo o sentido para mim. Até quando não sei. Mas prometi a mim mesma só me preocupar quando começar a achar piada à Cientologia. Até lá, se me falhar a fé tenho sempre a minha máxima: "A vida é curta demais para se beber mau vinho".

segunda-feira, maio 08, 2006

Shusen!*

Era capaz de viver uns tempos em Praga. Pelo menos para conseguir perceber como é que é a cidade sem turistas, essa ralé de máquina fotográfica em punho e de sandália com meia branca.
A cidade encheu-me as medidas - e eu não sou propriamente pequenina! É linda de morrer, com aqueles edifícios velhos e bem conservados, aquela luz envolvente de fim de tarde e aquela cerveja que se bebe de olhos fechados.
As pessoas é que são de uma antipatia estúpida! Tentam roubar nas contas, respondem mal nos restaurantes e supermercados. Houve mesmo uma senhora da caixa que merecia uma belinha naquela tromba feia, pela resposta que me deu quando lhe pedi mais um saco de plástico.
Mia: Can you give me one more plastic bag, please?
Nenhuma resposta, ela continuava a amontoar as compras abruptamente sem olhar para mim.
Desconfiada que a puta da mulher me tinha ouvido, mas ainda dando o benefício da dúvida, voltei a pedir:
Mia: Can you give me one more plastic bag, please?
Puta da Mulher: Jasljfljn cllcnlj sdklkiwehqoihf ronhónhó limatupiba lçjsef jkd!!!!! - (checo) - I know!! I know!!!A minute, ok??!!!
Irra, gente mal disposta!!! Claro que fiquei logo com vontade de a esbofetear até á morte logo ali no supermercado Alberto com o pacote de leite Euroshopper. Enfim, adiante!
Fui a uma discoteca, a Mish Mash e foi a loucura! A percentagem de gajas boas VS Gajos nogentos é assustadora! E quando digo gajas boas, quero dizer mesmo boas e produzidas a esfregarem-se umas nas outras, nos homens, nas cadeiras e nos varões. Até eu apanhei por tabela e tive direito a um sorriso-come-me-já-aqui de uma tipa com um vestido justo de cabedal preto que me fez um daqueles olhares e sorrisos enquanto dançava para mim. MEDO!!
Já homens com H grande é mentira...
Como a vidinha não é só borga, dei uma de culta e lá fui à Ópera ver o Requiem do Verdi, vi uma peça de Teatro Negro, concerto de Jazz, enfim...quem pode, pode! E como em Praga eu podia, fui!
Já em Viena a história é outra! Eu já não podia com os preços daquela cidade! Paguei €4.50 por um Marlboro e €2,60 por um café! Também gostei muito de Viena, toda organizadinha com os seus monumentos fantásticos e as suas ciclovias. Toda a gente anda de bicicleta, até vi umas senhoras completamente aperaltadas, cabelos impecáveis e malinhas Luis Vuitton a passearem-se elegantemente de bibicleta por Viena. Decidi que quero ser assim! :p
Contas feitas, adorei esta semaninha que passou num instante. Andei que me fartei, comi e bebi bem, matei algumas saudadinhas do meu mano e descansei a cabeça! De regresso a casa deparei-me com duas gatas completamente carentes e uma casa cheia de cócós!
A vida não está fácil para quem volta de viagem.
Depois de uma semana de laró, dou de caras com a minha vida de todos-os-dias. Cá estou eu, de rabo espalmado na minha cadeira de sempre, nesta minha sala sem janelas, onde a ideia de voltar a passear sem relógio por locais desconhecidos me parece cada vez mais distante.
Neura? Pois claro que tenho neura!!
*Lê-se Shãsan e é uma palavra inventada para safar o Tuga viajante que não sabe falar a língua do país que está a visitar. Pode significar tudo o que o Tuga quiser: obrigado, merda, vai chover, sim, não, acabou-se o dinheiro, perdemos o autocarro, desculpe, olá, etc... Caso seja necessário, o Tuga mais mangas pode inclusivamente construir frases soltas com a palavra shusen. Basta fazer um sotaque inglês.
Exemplo: Shusens strugens stufens, shrifens shtusens shusens!!