sexta-feira, fevereiro 24, 2006

Ele há vidas!

Depois daquele episódio da Praça de Londres que já vos contei, prometi a mim mesma portar-me como deve ser e não me meter mais com arrumadores de carros.
No entanto, chego à conclusão que são eles que se metem comigo! Há qualquer coisa, sem ser o meu carro e as minhas moedinhas, que nos une.
Será que estou a desenvolver uma simpatia pela classe?

Estava eu a tentar estacionar o meu Ludovico lá pelos lados do Bairro, quando descubro um lugarzinho que tinha tanto de encantador como de proibido - o ideal para mim! Era ali mesmo ao lado do Teatro da Trindade, por isso simplesmente perfeito, caído do céu. Enfim, quem frequenta a zona sabe do que eu estou a falar!
Claro que quem frequenta a zona sabe também que não há lugar livre para estacionar sem arrumador em anexo, certo?
Depois do dito cujo me jurar pela vida que a polícia não me ía rebocar o carro porque era noite de teatro e eles facilitavam o estacionamento, lá comecei a fazer a manobra para estacionar.
Como pessoa automobilisticamente educada que sou, olhei para o carro de trás para lhe pedir um bocadinho de paciência enquanto eu estacionava, quando percebi que estava a pedir um milagre!
Isto porque quem estava pacientemente à espera que eu estacionasse era a própria da bófia que me deu aquele olhar "ora-estaciona-à-vontade-e-logo-vês-o-que-te-acontece"!
Fiz o meu sorriso 33 aos senhores polícias...

Mia para Arrumador: "Está alí a polícia!"
Arrumador para Mia: "E depois? Só vieste buscar um amigo teu que precisava de boleia"
E entra dentro do meu carro, senta-se ao meu lado e diz: "Anda, anda!!".
Ainda olho novamente para os polícias, que me devolvem um olhar "há-problema-ou-quê?, ao qual eu respondo, também com o olhar "não-não-está-tudo-bem...-não-há-problema...-tenho-medo!-quem-é-este-gajo?".
E avanço com o carro rua abaixo, na passeata pelo Bairro Alto, com um completo estranho sentado no meu carro a cheirar terrivelmente mal, e na animada converseta sobre os lobbys do estacionamento!
...
Na terça-feira resolvi experimentar o cabeleireiro Facto Lab, em Sta. Apolónia. Queria uma franja bem mais curta. Coisas de gajas!
Como a única indicação que tinha era que o cabeleireiro ficava ao pé do Lux, lá me dirigi ao parque de estacionamento do Lux numa de perguntar a alguém as coordenadas.
E quem são as alminhas que andam por aqueles lados às sete da tarde? Arrumadores de carros, claro!
Parei o carro e chamei o Sr. Arrumador:
Mia: Boa tarde! Sabe-me dizer onde fica o cabeleireiro Facto?
Arrumador: É já aqui! Estacione, estacione!!!
Olhei em redor e não vi cabeleireiro nenhum...
Mia: Mas aqui onde?
Arrumador furioso e a esbracejar: Olhe minha senhora, agora não tenho aqui nenhuma fotografia do cabeleireiro para lhe mostrar, tá bem???!!!
Dá meia volta a resmungar comigo e vai-se embora enquanto eu, completamente à nora ainda lhe grito da janela "Oh jovem!!! Não se irrite!! Eu só não estou a ver o cabeleireiro! Jovem!!".

segunda-feira, fevereiro 20, 2006

Famílias

Cada um tem a sua, e a verdade é que há sempre GRANDES personagens nas famílias. A minha não é excepção, e analisando de fora as pessoas e situações, chego à conclusão que a minha família é simplesmente hilariante!
Só para dar alguns exemplos:
Mãe
Um bocado traumatizada com os tabus vividos na casa dos meus avós, fez sempre questão de nos falar abertamente, a mim e ao meu irmão, sobre sexo, relacionamentos, masturbação, menstruação, orgasmos e tudo e tudo e tudo... E o tudo era tanto, que por vezes chegou a ser demais! Tinha eu 15 anos e o meu irmão 12, quando no final de uma conversinha-de-mãe-para-filhos nos disse: "Fazer amor é uma coisa normal entre duas pessoas que se amam, por isso, quando vocês quiserem fazer amor com os vossos namorados ou namoradas, podem vir cá para casa, dizem-me para eu ir tomar um cafézinho lá a baixo ou assim e eu deixo-vos à vontade! Prefiro assim, do que voces andarem por aí a ser apanhados pela polícia nos parques de estacionamento."
Pai
Último ano de faculdade (pensava eu!), ligo ao meu pai a contar-lhe que a reunião de estágios não tinha dado em nada e que não sabia ainda se ía ter sítio onde trabalhar. Resposta do meu pai: "Olha, sabes o que é que era giro? Ires para o Qatar fazer documentários!". Depois de perceber que ele estava mesmo a falar comigo, fiquei sem saber o que responder, por isso saiu-me um "hã?" que foi de imediato interrompido: "Vamos à embaixada, dirigimos uma carta ao Sheikh...mas já falamos disto que eu agora tenho aqui outra chamada, ok? Beijinhos".
Tia Graça
A minha Tia Graça é uma rapariga de 54 anos, solteira, católica fervorosa, com uma voz capaz de rebentar tímpanos de tão aguda, nervosa e exagerada. No dia do seu aniversário, o mesmo dia em que nevou em quase todo o Portugal, fui almoçar com ela a Mafra. Quando a deixei em casa e ía voltar para Lisboa agarrou-me com força no braço e disse-me muito depressa: "Mia, por favor vai devagar para Lisboa. Não morras no caminho por favor, não morras! Se tu morreres a culpa é minha porque eu é que te convidei para vires almoçar comigo. Não morras, está bem?".
M-E-D-O!!!!
Tio Mário
Toda a gente já levou com aqueles comentários típicos dos adultos que não sabem o que dizer às crianças/jovens/adolescentes. O mais popular é sem dúvida o "Então e os namorados, hein?".
Quando eu morava lá pelos Orientes e vinha passar as férias de Verão a Portugal, a graçola favorita do meu Tio Mário era a típica conversa "Então o chinezito li-pó-pó?", "Ouvi dizer que há um chinês que está a sofrer muito lá na terra dele! Coitadinho do chinito (?), foi abandonado nas férias, hein?", "Como está o chinito que deixaste por lá?"...
Ok, isto era só nas férias do Verão, dava para aguentar!
Mas a questão é que para além de ter saído de Macau há quase 7 anos e ter 24 de idade, o meu Tio Mário continua a não ter outra conversa comigo senão esta!!! Já pensei em arranjar novos assuntos, mas acho que o tema "Tio, porque é que tendo tu 60 e tal anos e sendo careca, insistes em pintar o cabelo que te resta de preto?" não seria muito melhor!
Primos
A maior parte da minha família já viveu ou vive espalhada pelo mundo. Assim sendo, tenho primos direitos com os seguintes nomes próprios: Wilson, Walker, Marisol, Solimar, Jaqueline...
Somos muitos e quando esta gente se junta em almoços de família, tudo é possível! Até porque nem todos se dão bem e o final destes encontros tanto pode dar para um divertido bailarico improvisado ou para acabar tudo à estalada. Enfim, famílias... :)

sexta-feira, fevereiro 17, 2006

Drama Girl

Há quem diga que sou dramática, exagerada, desbocada e até parva. Concordando ou não com o que pensam da minha pessoa, a verdade é que há certas situações "extremas" pelas quais nunca passei e que teoricamente achava piada passar. Entre elas:

1- Ir a um restaurante todo XPTO, armar uma discussão de motivo irrelevante e, à frente de toda a gente, virar o copo de vinho tinto em cima da cabeça da pessoa que está a jantar comigo, de preferência um homem. Depois fazer um ar "humpf!" e sair triunfante do restaurante, sem pagar a conta!

2- Fugir no dia do casamento!
3- Ter aqueles telemóveis que abrem e fecham consoante a pessoa está a falar, para que quando discutisse com alguém o pudesse fechar, com a força de quem bate com uma porta, mostrando a minha raiva. O meu telemóvel actual não dá para isso... quer desligue a chamada a bem ou a mal, tenho sempre que carregar minuciosamente numa tecla ridícula, o que tira toda a intensidade dramática à situação.
4- Sair de um avião pelas escadas e cá em baixo ter uma multidão histérica à minha espera com flores e cartazes "We Love You Mia".
5- Fechar um Centro Comercial só para eu fazer compras!
6- Cantar maravilhosamente bem! - Esta é de facto a situação menos provável, e por isso, mas só por isso aceito este tipo de críticas à minha pessoa! :)

quinta-feira, fevereiro 16, 2006

Até a Maya era mais certeira!
Quando fiz os testes psicotécnicos na escola para orientar os putos na escolha da área no 10º ano, os meus resultados foram artes e mecânica.
Mia - Desculpe, mas...mecânica??!!??
Dra. Psicóloga- Sim, você é daquelas pessoas que intuitivamente pega numa máquina de lavar avariada, por exemplo, desmonta-a e arranja-a, sem qualquer dificuldade.
Como????
Ano 2001
Mia - Pois, e foi o que se passou Sr. Silvério, a máquina de lavar deixou, sem mais nem menos, de funcionar! Um dia estava boa, no outro puff!
Sr. Silvério - Ora então vamos cá ver isto... Ó menina Mia, mas você tem que a manter ligada à corrente, caso contrário não há milagres!
Ano 2002
Mia - Sr. Silvério, desculpe lá ligar-lhe ao domingo, mas estou em pânico! Então não é que a máquina de lavar roupa anda aos pulinhos pela cozinha a fazer barulhos estranhos? É sinistro!!!
Sr. Silvério - Passo aí depois de jantar, esteja descansada que ela só deve estar engasgada.
Depois de longas horas de terror...
Sr. Silvério - Pois é menina Mia, era o que eu pensava... então não reparou que lhe faltavam meias? Muita sorte teve a menina em não ter ficado com a cozinha alagada!
Ano 2003
Mia - Olhe Sr. Silvério, como vê a minha cozinha é um verdadeiro lago! Espere só um bocadinho que vou buscar as braçadeiras.
Sr. Silvério - Hmmm... mas esta água vem de dentro do tambor...
Mia - Será que é por eu não prolongar a vida da minha máquina com Calgom?
Sr. Silvério - Oh menina Mia, já estava na altura de arranjar outra máquina, não?
Ano 2004
Mia - Está a ver a toalha? Devia ser fofinha porque eu ponho amaciador, mas parece palha de aço! Oiça o que eu lhe digo, esta máquina já não aceita o amaciador, deu-lhe para isso!!
Sr. Silvério - Deixe lá ver... Ó menina Mia!!! Então você põe o amaciador no mesmo sítio onde põe o pó do detergente? Até agora a máquina ía diluindo como podia, mas acabou por fazer aqui um bolo que está a entupir isto tudo!
Mia - Hã?
Sr. Silvério - Oiça com atenção! Oh valha-me Deus...Está a ver que estão aqui dois compartimentos, certo?
Mia - Sim...
Sr. Silvério - Este aqui da esquerda é para o amaciador. O da direita é para o pó! Percebeu?
Ano 2005
Mia - Estou sim? Vocês são aquelas empresas que arranjam tudo, certo?
Empresa-que-arranja-tudo - Sim?
Mia - Precisava que alguém viesse cá a casa ver a minha máquina de lavar roupa...ela está a fazer um barulho como se tivesse metais em vez de lençois dentro do tambor!
Empresa-que-arranja-tudo - Só se for lá para o fim do mês.
Mia - O que? Fim do mês? Mas que raio... que falta de consideração pelo cliente!
Empresa-que-arranja-tudo - Oiça, se quiser esperar espera, caso contrário procure alguém que lhe resolva o problema.
Mia - Devem ter muitos clientes, vocês...devem, devem!
Depois de me recompor...
Mia - Ó Sr. Silvério...não ralhe comigo...mas é a minha máquina de lavar...
Sr. Silvério - Até estava a estranhar nunca mais me ter ligado! Diga lá quando é que posso passar aí por casa, vá!
Ano 2006
Vou comprar uma máquina de lavar nova!

terça-feira, fevereiro 14, 2006

Dia de Sta. Valentina
(ou Às minhas Amigas)


- Por me aturarem as neuras-da-fome, as TPM´s, as bebedeiras, a real moca, as graçolas de gosto duvidoso;
- Por me elogiarem a vestimenta, o penteado, o sapatuxo, a depilação arrojada;
- Por partilharem comigo cigarros, pensos higiénicos, tampões, maquilhagem;
- Por acreditarem sempre nas minhas intenções de dieta e de exercício;
- Por não se envergonharem quando faço figuras para lá de ridículas em público;
- Por me enervarem;
- Por terem sempre uma palavra amiga, nem que seja "bora lá beber uma";
- Por virem comigo à casa de banho - incluindo a do Lux em hora de ponta;
- Por perceberem que "sinto-me estranha" é uma desculpa tão boa como outra qualquer para comer toneladas de chocolate;
- Por me ajudarem tão afincamente a analizar/dissecar as SMS pseudo-amorosas-ou-nem-por-isso-caga-nele-é-um-cabrão;
- Por me elogiarem os dotes culinários, mesmo quando faço "carne à brás";
- Por me chamarem estúpida, cabra e puta da forma mais querida que já ouvi;
- Por gozarem comigo por eu chorar no cinema, independentemente do género do filme;
- Por me contarem os pormenores medo!-não-quero-saber-mais-que-nojo!! das suas vidas sentimentais;
- Por o silêncio com elas ser sempre confortável;
- Por acharem sempre que sou mil vezes melhor do que qualquer potencial rival;
- Por gostarem das minhas gatas;
- Por serem as únicas pessoas do mundo a achar que eu tenho jeito para o teatro - a minha mãe não conta;
- Porque não conseguia viver sem elas;
Um beijinho muito grande neste dia dos namorados, dos amigos, da família e dos animais de estimação! Enfim, do amor!

segunda-feira, fevereiro 13, 2006

Os homens preferem as loiras

A Sílvia era a menina mais bonita da minha rua. Era loura como ela só, cabelo ligeiramente encaracolado, olhos a atirar para o verde. A Sílvia tinha sempre as roupas mais giras da rua, lembro-me especialmente de uns calções de licra pretos com uma risca amarela fluorescente dos lados, e umas sabrinas douradas que ela usava.
A Sílvia era a minha melhor amiga às vezes, quando se chateava com a Marta Sofia da rua de baixo e não tinha ninguém com quem brincar. E quando isso acontecia eu sentia-me muito especial, porque não havia nada melhor que ir para casa da avó da Sílvia brincar.
Isto porque a Sílvia tinha os pais separados e passava grandes temporadas em casa da avó, que vivia no prédio em frente ao meu, era meia surda e assim podíamos estar à vontade sem ninguém dar por nós.
O primeiro cigarro que eu fumei foi aos 9 anos, com a Sílvia, na casa de banho da avó dela. Eu fartei-me de tossir, e fiquei muito ofendida quando ela, com um pé em cima do tampo da sanita e a mão na cintura se riu de mim "tu não sabes mesmo fumar, Mia".
A Sílvia tinha sempre namorado e eu nunca tinha. A minha grande paixão da altura era o Armando da rua de baixo, que era mais velho que eu dois anos. O Armando (ou Armandinho, como o meu pai lhe chamava para se meter comigo) jogava comigo à bola, às escondidas e à apanhada - rebentábolhaaaaaaaaa -, mas gostava da Sílvia. Tal como o Pedro, o Paulinho, o Bruno e o Cabeça-de-Gira-Discos.
A Sílvia não lhe ligava nenhuma, a não ser quando era para ir a casa dele ver o Pesadelo em Elm Street, porque ele tinha a maior televisão lá da rua.
Uma vez nas férias do Verão, estava com o Armando sentada à porta do meu prédio e ele pediu-me para entregar uma carta de amor à Sílvia. E eu entreguei.
Foi também no Verão (o Verão naquela altura não é como hoje, durava uma eternidade), que ele me perguntou porque é que eu não tirava os pelos das pernas, coisa que só me apercebi que tinha quando ele falou nisso. Agarrei na gillette do meu pai e tirei os pelos de uma vez para sempre - pensei eu na altura.
Naquela época eu dormia de tranças com o cabelo molhado para no dia seguinte ele estar encaracolado, e quando ouvi certos rumores de que a Água Oxigenada punha o cabelo loiro, agarrei no frasco lá de casa e encharquei o cabelo.
Não fiquei loira como a Sílvia e tive que cortar o cabelo queimado.
Nunca tive nada com o Armando, nem sequer naquela vez que eu e a Marta Sofia nos enfiámos na dispensa da Casa da Porteira com o Armando e o Pedro para dar beijinhos. A mim calhou-me o Pedro e eu fugi.
Há pouco tempo revi estas personagens da minha infância. O Armando está casado, à espera de bebé e é o homem mais feio da Europa.
A Sílvia está acabada, faltam-lhe dentes e as olheiras são até aos joelhos. Não sei a vida que leva, mas desconfio.
Continua loira.

quinta-feira, fevereiro 09, 2006

Mitos...ou não!!

Haverá imagem mais anti-tesão que um homem todo nú com meias brancas puxadas quase até aos joelhos?

segunda-feira, fevereiro 06, 2006

Quero os meus sentidos de volta!!!
Estou constipada.
Já me assoei tanto que tenho medo que da próxima vez me saia o cérebro pelas narinas, a minha tosse parece saída das cavernas e a minha garganta está num fanico.
Mas pior que isto: estou oficialmente sem olfacto e sem paladar!
E há poucas coisas mais tristes do que estar assim...
Ontem ao almoço pedi choquinhos grelhados, estava-me mesmo a apetecer!
Mas a verdade é que se tivesse pedido beringelas com puré de beterraba - o verdadeiro nojo - tinha-me sabido ao mesmo. Ou seja, a nada!
Foi só uma questão de textura: os choquinhos são um bocadinho mais rijos, a batata mais molinha, os bróculos mal cozidos, como eu gosto...e pronto!
Se me tivessem tapado os olhos, podia ter comido cartilagem de frango e acreditar que estava a comer choquinhos.
Mas pior que um dia inteiro sem paladar ou olfacto, são dois dias inteiros sem paladar ou olfacto.
E isto é tão grave que hoje de manhã podia muito bem ter fumado um café e bebido um cigarro que não ía notar!