segunda-feira, dezembro 31, 2007

Divagações sobre 2007

Não me lembro de nenhum ano tão preenchido e agitado como o de 2007! Tentei pensar em 1991 e 1999, quando fui para Macau e voltei para Portugal, mas mesmo assim não chega nem aos calcanhares deste ano que agora finda.
O rodopio começa logo em Fevereiro, quando eu e o T. decidimos viver felizes para sempre em Alcântara, essa zona previligiada e fina de Lisboa.
Em Março conheço finalmente Paris e apaixono-me!
Depois, deixo o meu trabalho de 3 anos, o primeiríssimo, e salto sem olhar para trás para um projecto totalmente diferente e que era a minha cara, mas que - pois... - afinal não deu em nada. Logo, fico desempregada!
Segue-se a morte da minha mãe, a maior mudança de todas. Tão grande que ainda não lhe conheço a extensão real. No entanto é um alívio, é o fechar de um ciclo de dor profunda que nos permite, finalmente, ver o que resta de nós depois de nos termos dado tanto.
Nisto, entro no mestrado! E logo, logo a seguir no trabalho novo!
Segue-se a minha gravidez! Alguém se assustou? Brincadeirinha!!!
(T., se entretanto te deu a taquicardia vê se te recompões, querido, que era só a brincar, sim?)
E pronto! Dou por mim no dia 31 de Dezembro a acordar às 5 da manhã para ir trabalhar, bem disposta, a cantarolar o "Rocket Man" do Elton John, versão David Fonseca, e cheia de vontade de saber que raio estará para vir em 2008!
Há vidas fantásticas, não há?

quinta-feira, dezembro 13, 2007

Tenho um Ego do tamanho de um elefante

Eram 8:15 da madrugada quando, cheia de frio e com a birra do sono, apanhei o 56 para ir para o trabalho. Saquei de dois euros da carteira que apresentei, meio distraída, ao Condutor da Carris. O homem olha para mim fixamente, sorri e fica impávido. Eu resolvi abanar a mão, quase a espetar a moeda no nariz do senhor. E nada! Continuou ali a olhar para mim a sorrir.
Que raio! Já impaciente grunhi "um bilhete, se faz favor" e ele, muito calmamente abanou a cabeça como quem diz "Para ti é de graça, coisa fofa!".
Saquei logo de um sorriso, fiz-lhe um olhar cumplice e na verdade até acho que lhe pisquei o olho enquanto enfiava a moeda no bolso.
Fui-me sentar toda lampeira, a sentir-me a gaja mais gira e boa do universo. Tão gira e tão boa que nem precisava de pagar nos transportes públicos. Assim boazona do género de nunca mais precisar de comprar o Lisboa Viva, ou linda no tipo de nunca mais pagar 12€ no Lux, ou ainda gira do género de nunca mais precisar de descontar para a segurança social!
Estes pensamentos - que para mim já eram quase certezas - duraram até às 9:05, quando atendi a primeira cliente, a D. Eduarda que faz Hidroginástica às Quintas-feiras e que do alto dos seus 71 anos comenta comigo: "Isto dos transportes públicos sem pagar é muito bonito, mas depois vai-se a ver e é só vagabundos a ocupar os bancos para dormir ao quentinho!".
Pois.

domingo, dezembro 02, 2007

Era uma vez...
...um homem de cabelo estranho e calças curtas que mostravam as meias brancas puxada para cima, que foi jantar a casa dos pais da namorada para os conhecer. Acabaram por não jantar os franquinhos pequeninos feitos pelo pai histérico que, mesmo depois de assados mexiam as perninhas enquanto jorravam um líquido escuro, porque a mãe, que era meio apática, encostou o homem à parede exigindo saber se ele e a filha tinham tido relações sexuais, ao mesmo tempo que o tentava beijar.
Depois, visto que a namorada tinha dado à luz uma espécie de mutante com cabeça de carneiro depilado enrolado numa gaze branca, eles foram viver juntos para a casa dele. De quando em vez, havia uma mulher com bochechas exageradamente grandes e descaídas que cantava num palco dentro do aquecedor lá de casa.
A criança nunca mais se calava e a namorada passou-se da cabeça e resolveu ir para casa dos pais, enquanto que o homem ficava a tomar conta do bebé que depois ficou doente, cheio de pintas naquela cara de carneirinho.
Na caixa do correio estava uma caixinha que tinha lá dentro uma espécie de minhoca de plasticina que uma vez ganhou vida própria e andou pelo chão a saltitar e se transformou num monstro.
Entretanto, numa das noites em que a namorada dormiu lá em casa, teve sonhos estranhos e não parava de empurrar o homem para fora da cama, e ele reparou que do pipi dela saíam uma espécie de girinos, mas maiores, que o homem arrancava do corpo da namorada e esborrachava contra a parede do quarto.
De vez em quando aparecia a mulher do aquecedor a pisar os mesmos girinos e a cantar. Numa das vezes, o homem apareceu dentro do aquecedor e a cabeça dele caiu, e no lugar dela creceu-lhe uma cabeça igual á do filho mutante/carneiro.
Um menino maltrapilho encontrou a cabeça do homem e foi levá-la a uma espécie de fábrica para fazerem dos miolos da cabeça, borrachas para colocar em cima de lapis de carvão.
Chama-se Eraserhead e foi o filme que vi no Nimas esta Sexta-feira. Aconselho vivamente!