sexta-feira, maio 25, 2007

Nos últimos tempos...


... as horas insanas de um dia inteiro só ganham sentido quando, segundos antes de adormecer, dou comigo a sorrir porque dormes a meu lado...

quinta-feira, maio 24, 2007

Episódios de uma vida de Bairro

O Pataruére
Mia - Graça chega-te aqui à janela.
D. Graça - Espera aí filha... espera... eu já sei, eu já sei...
Mia - Já sabes o quê?
D. Graça - Já sei o que é... eu já sei!
Mia - Ainda bem que sabes, porque tens que me explicar o que é aquilo ali em baixo!
D. Graça - É um pataruére.
Mia - É um quê?
D. Graça - Era o meu pataruére.
Mia - E o que é que o teu tupperwear* está a fazer no quintal da vizinha?
D. Graça - Então estava podre e eu mandei-o fora!
Mia - Pela janela?!!
D. Graça - Pois!
Mia - Quantas vezes tenho que te dizer que o lixo não se atira pela janela? O lixo é para pôr no caixote do lixo!
D. Graça (levando a mão à testa) - Ahhh... tu queres ver que não me lembrei disso!
Mia - Não te lembraste que o lixo se punha no caixote???
D. Graça - Não, filha! Pera que eu explico: estava podre aqui pertinho da janela e eu mandei fora! Olha, não me lembrei! Entendes?
* tive que ir ver como se escrevia

segunda-feira, maio 21, 2007

Cum Carago!

Como única portista do escritório vi-me forçada a fazer a minha peculiar, contudo sensual, Dança da Vitória de gabinete em gabinete.
As pessoas odeiam-me, e algo me diz que acabei de lixar o aumento e o prémio. Que se lixe, somos campeões, carago!

quarta-feira, maio 16, 2007

As Princesas

A súbita visita relâmpago da K. aqui ao cantinho ibérico esquerdo foi desculpa mais que suficiente para reunir, à antiga, os 4 Reinos. Estas reuniões, onde se avaliam progressos e danos e se tomam posições sobre políticas de cooperação a seguir, têm sido cada vez mais escassas. Os Reinos, de gestão cada vez mais complexa e exigente, deixam as Princesas sem mãos a medir e a acção rouba-nos tempo à estratégia.
Mas nem tudo está perdido, como se verificou ontem à noite. A saber: ainda não chegámos aos 30, ainda não temos filhos, e foi ainda no Verão passado que tomámos banho numa bomba de gasolina em Vila Nova de Mil Fontes. Por isso, à primeira vista, pelo menos a parvoice e a incongruência não se perdeu!
Sim, detectámos alguns problemas: ressacas que já duram um dia e meio, Principes dificeis de levar nas palminhas, falta de "tempo" para comprar tiaras e sapatos novos, incompreensão laboral... mas enfim, nada que não se resolva com um puta-que-os-pariu Real, vamos lá falar de sexo.
Dever cumprido, as Princesas regressam aos seus Reinos e os desenvolvimentos das Boas Práticas comunicam-se por e-mail. O próximo encontro Real, com data marcada para o Verão, adivinha-se prometedor. Quem sabe, numa bomba de gasolina perto de si!

sexta-feira, maio 11, 2007

Ó Sabrinaaaa, pensar que estivestes tão pertoooo!*

Já nem tenho palavras para descrever o Festival da Eurovisão, quanto mais as actuações de Portugal que, de ano para ano, têm vindo a refinar. 2007 então foi o ano mais refinado!
A Sabrina e a sua franja, a voz envergonhadinha e o sotaque inglês das frases finais da canção, as senhoras dos leques gigantes a compor a coreografia, a letra do Emanuel e a música pimbo-latino-festa-da-Achada-socas-nos-pés-e-cabelo-de-permanente-com-franja-esticada, o bailarino de rabo bamboleante e colado à calcinha de vinil branca.
É delicioso este meu Portugal! Simplesmente delicioso!
* De mostrar as cuecas...

terça-feira, maio 08, 2007

Como não cais nesta?!?

Veio cá um senhor do seguro de saúde aqui do trabalho medir a intensidade da luz do meu gabinete. Mostei o meu melhor sorriso, fiz gracinhas, beicinho, olhinhos de bambi, mostrei o decote e até acariciei o aparelhômetro de forma sensual enquanto passava a lingua pelos meus lábios carnudos e apetitosos.
Não valeu de nada! O estupor não escreveu nas observações do relatório que a única solução para esta sala era uma janela brutal virada para o mar.
Humpf... Xoninhas!

segunda-feira, maio 07, 2007

À Chuva
Hospital. Tão cedo e já cá está tanta gente. Entrar, esperar, levantar, sentar, voltar a levantar, fumar um cigarro lá fora porque nem no bar se pode fumar a porra de um cigarro. Há gente que morre a outra gente que nem um cigarro pode fumar. Só lá fora, à chuva. Fascistas da merda. O puto da cama ao lado tem uma mãe nervosa e um pai que (des)espera lá fora. Tem quatro anos o puto, e arde-lhe a pilinha quando faz xixi. Vai ser circuncidado e não entende. Daqui a dois anos nem se vai lembrar como era fazer xixi com dor. Mas os pais vão lembrar-se com certeza do que foi aquela hora de espera. Não é grave, mas é como se fosse. É o hospital e o miúdo não conhece ninguém.
A outra senhora tem a mãe à espera de ser operada. Caiu e a idade não perdoa. A médica disse-lhe para ir dar uma volta, espairecer, que o nervosismo não adianta de nada. A senhora foi e voltou logo de seguida com a perna esquerda em sangue. Caiu. Como a mãe. Foi pior a emenda que o soneto.
Não pode estar aqui a passear, se quiser sente-se ali na cadeirinha, fiz um sorriso amarelo à enfermeira e fui fumar mais um cigarro à chuva. Ou comer um bolo, não me lembro. Lembro-me de ter ficado mal disposta e de ter bebido uma água com gás só temos Vidagos quente. Fiquei pior e fumei outro cigarro. Já não chovia.
Voltei a sentar-me nas escadas do 1º piso e estava uma senhora ao telemóvel Sabes onde estou? No hospital a visitar o Mário. Pois, nem imaginas, no sábado fizemos 60 km de bicicleta a subir e descer montes, e a 50 m de casa o gajo deu uma palhaça de todo o tamanho. Vê lá, a 50 m de casa, ele há ironias... pois... não, é que ele até se levantou, parecia que não tinha nada partido, tinha só muitas feridas na cara e nas costas, nem queria acreditar quando ele me apareceu à frente... sim, na maior... mas depois à noite tinha sangue na urina e parece que furou o rim...
Voltei a entrar no corredor das macas e sentei-me na cadeirinha. O puto já tinha voltado e estava a chorar. Esperei. Fechei os olhos e os desenhos animados da Dois entravam-me nos nervos. Que estupidez! É uma operação de merda! Sou tão descontrolada... quando tiver filhos o mais certo é morrer e pronto! Se ao menos o puto se calasse. Cala-te puto! Cala-me essa boca! Vou fumar um cigarro. À chuva.