domingo, agosto 26, 2007

Lembrei-me agora de vos contar que...

... sou a feliz proprietária de uma tenda que se monta sozinha em 2 segundos! Podia dizer-vos que é grande, prática, um must para quem arranca de Lisboa às sextas-feiras à noite sem saber onde vai dormir, um espectáculo de montar quer na areia da praia, quer no alcatão, que tem um gancho amoroso para pendurar a lanterna que me custou €1,50 no chinês de St. Amaro, e que faz de mim uma pessoa altamente cool! Mas mais importante é dizer-vos que, mais que um facilitador de vida de campista, esta tenda contribui para a paz conjugal. Acabaram-se as discussões às 4 da manhã sobre se as primeiras varetas a enfiar são aquelas mais pequenas, os dedos acusadores sobre o irresponsável que deixou as estacas de fora, ou os pontapés em quem deu um nó tão apertado no saco das tralhas que agora nem dá para abrir. Agora sim, finalmente, é amor e uma tenda!

sábado, agosto 25, 2007

Eduardo Prado Coelho



É terrível quando nos morre alguém querido. Quando morre alguém que não nos é assim tão próximo, é só estranho. Tem-se um pesar diferente, não nos arranca o coração, mas toca-nos. Por algum motivo, a morte do Eduardo Prado Coelho tocou-me.
Foi meu Professor de Cultura Contemporânea e eu achava-lhe graça. Achava-lhe muita graça! Embora houvessem rumores que a alcunha de "Bolinha Semiótica" o incomodava, penso que lhe assentava que nem uma luva. Quando se sentava na cadeira à nossa frente, as calças subiam acima dos calcanhares e mostrava as meias de homem, às vezes descaídas, e um bocado das pernas muito brancas. É assim que o imagino sempre. Falava do pai, de França, dos tempos loucos com a Marguerite Duras e o seu amante, de livros, dos amigos, de casamento, de filosofia, de restaurantes e de mil coisas. De tantas coisas que já nem me lembro. Contava histórias. Oferecia livros repetidos. Gostava das alunas bonitas que se sentavam na fila da frente.
Tive 17 na frequência, das notas mais fáceis que tirei na faculdade, porque ele aceitou que escrevesse sobre Macau. Um dia gostava de ir a Macau, disse-me.
A partir daí, porque demorei a acabar a faculdade, encontrei-o durante muito tempo nos elevadores, corredores, no bar, e ele lembrava-se de mim. Chamava-me Chinesinha.
Nunca fui almoçar com ele ao "Atira-te ao Rio", nunca tomei café com ele na "Versalles", nunca me ofereceu nenhum livro, mas por alguma razão a morte de Eduardo Prado Coelho tocou-me.
Se calhar porque nunca chegou a ir a Macau.

quarta-feira, agosto 22, 2007

D. Arminda

- Dá-me uma moedinha para comer qualquer coisinha, menina?
- Não, desculpe.
- De qualquer forma, muito obrigada.
- Por quê?
- Por me ter respondido.
- Como assim?
- Há dois dias que ando cá a pensar para comigo que morri e não dei conta.
- Desculpe, mas não entendo...
- Há dois dias que falo com as pessoas e ninguém me responde. E até parece que ninguém me vê! E depois como coincidiu com aquela noite em que fez muito frio, pensei que tiesse morrido e ficado presa neste mundo.
- Quer dizer que há a possibilidade de estar a falar com um fantasma?
- Pois, ou então é isso. Só a menina é que me vê.
- Posso tocar-lhe no braço?
- Para quê?
- Para ver se é só uma assombração, ou se de facto existe.
- Toque.
- É um facto, existe. Sinto-lhe o braço.
- Bem me parecia! A única coisa que me fazia confusão era ter fome. Não creio que os fantasmas sintam fome.
- Também me parece que não. Olhe, venha comigo ali ao café. Eles têm uns scones óptimos e está na hora do lanche.
- Ou do pequeno-almoço.
- Sim, ou do pequeno-almoço.

quinta-feira, agosto 09, 2007

Mudam-se os tempos, mudam-se as conversas telefónicas
Antes:
Mia: Alô, sou eu!
Filipa: Olá, vamos logo à festa?
Mia: Yap, passo depois de jantar em tua casa para a maquilhagem.
Filipa: Vem cá jantar e assim vestimo-nos cá.
Mia: Sabes se o Z. vai?
Filipa: Não sei, é capaz... espero que o D. esteja lá! Passamos antes no 24h para comprar cerveja, eles devem andar por lá.
Mia: Tenho um plano para logo! Ah, é verdade, não te esqueças que para todos os efeitos eu durmo aí hoje, ok?
Filipa: Claro! E eu durmo em tua casa!
Mia: Então até já!
Filipa: Até já!

Agora:

Mia: Alô, sou eu!
Filipa: Olá, vêm cá jantar amanhã?
Mia: Sim! O puto tem feito cócó?
Filipa: Naquele fim-de-semana fez quatro vezes, mas agora voltou a fazer só uma vez por semana.
Mia: E já bebe água?
Filipa: Já tentei, mas ele não gosta da tetina do biberon. Agora está quase na altura dele começar a comer papas.
Mia: Está a ficar grande! Mas é normal ele só fazer cócó uma vez por semana?
Filipa: Parece que sim, quer dizer, ele está bem!
Mia: Então a que horas, amanhã?
Filipa: Apareçam quando quiserem. Podem vir logo depois do trabalho!
Mia: Ok, até amanhã!
Filipa: Beijinhos!

quarta-feira, agosto 08, 2007

Sou só eu ou...

... o Joe Berardo já chateia um bocadinho?
Assim um bocadinho daqueles suficientes para que, de cada vez que o senhor abre aquela bocarra cheia de indignações proferidas num linguajar que não de gente, me dê fortes surtos de canitos para nunca mais ver o telejornal na vida.
Berardo, querido, faz um favor à gente. Eu estou disposta a vender-te as minhas 10 acções do Benfica se prometeres que te vais inscrever nas aulinhas de dicção já em Setembro, sim? Uffff....

segunda-feira, agosto 06, 2007

É o fim...

Depois do Verão passado, pensei que a loucura não podia chegar mais longe. Enganei-me!
Lá fui eu com a malta do costume rumo ao Sul para um fim-de-semana de sol, mar, e estupidez. Tinha a tenda no carro, mas para variar não fazia a mínima ideia onde ía acampar. Provavelmente numa praia escondida no Algarve, longe das Quarteiras, Albufeiras e outras terras acabadas em "eira". Só lá vai quem sabe e tem paciência para andar eternidades em caminhos tão maus para o carro como para o pulmão, de tão densa que é a poeirada.
A praia lá estava à nossa espera, mas bem mais suja que no ano passado, por isso, na segunda noite, depois de um jantar bem regado de cerveja, vinho e shots de medronho na melhor (e única) pizzaria de Pedralva, não havia alminha que conseguisse pegar no carro e fazer estradas de curvas e contra-curvas.
Entre montar as tendas no próprio do parque de estacionamento da pizzaria, ou pegar nas tralhas e ir a pé procurar uma clareira na mata mais próxima, a hipótese de invadir propriedade privada pareceu-nos bastante boa! Ou seja, logo ali ao lado havia umas casas em construção, ainda sem portas, janelas e chão, a cheirar a cimento, que naquela altura nos pareceram o abrigo ideal para a noite de sábado. Sejamos coerentes: havia paredes e tecto, o sonho de qualquer bêdado!
De vagabunda passei a okupa! E isto só tem graça porque sobrevivi para contar a história! Podia ter ido parar à choldra, ter sido linchada por proprietários enraivecidos, violada por homens das obras ou ter acordado na manhã seguinte numa banheira cheia de gelo e com menos um rim. Tudo coisas que me passaram pela cabeça antes de adormecer! Mas a vida é isto mesmo, caríssimos, quem não arrisca não petisca!

quinta-feira, agosto 02, 2007

Vida Selvagem

Viemos do IKEA carregados com 3 vasos de plantas verdes para juntar à solitária que tínhamos lá por casa. A solitária veio directamente da minha cozinha dos E.U.A para a nossa sala de Alcântara. É uma sobrevivente!
Quando a comprei numa florista da Av. da Igreja, a senhora da loja, que tinha buço e as duas mamas coladas à barriga, jurou-me a pés juntos que a planta durava uma vida inteira: "dá flor na Primavera e no Inverno fica verdinha que só ela".
A verdade é que só na primeira Primavera deu flor. Depois desistiu. Ou então as minhas gatas comiam-nas antes dela florir, nunca cheguei a saber.
Juntámos as 3 plantas novas à solitária que, coitada, ao lado da exuberância florestal das outras parecia um bocadinho de ranho seco.
Ficámos felizes com a nossa casa cheia de verde durante uns dois dias, porque ao terceiro dia, o que restava das plantas era uma espécie de líquido verde nos tacos do chão, misturado com pelos e bocados de biscoitos de frango e cenoura. As gatas comeram as plantas e vomitaram-nas!
Apetecia-me esfolar os bichos e pendurá-los à janela com as patas atadas para serem comidas pelos pombos, mas é impossível resistir aos olhinhos de bichanas cheias de pelinho fofo a fazer ronron!
Tentei explicar à Bianka que não é bonito comer outros seres vivos, principalmente quando eles ainda estão vivos, e que provavelmente ela não gostaria que as plantas a comessem a ela. À outra, como é burra, não lhe expliquei nada.
Como a chacina das plantas continuou, resolvi experimentar uma coisa totalmente inovadora: uma caixinha de plástico com pedrinhas e sementes de relva, que é preciso regar e esperar 6 dias até que a relva cresça. Supostamente aquilo é óptimo para gatos e a melhor maneira de mante-los longe das plantas a sério.
Segui as instruções e hoje, passados 6 dias, em vez de relva, tenho uma caixinha de plástico cheia de pedrinhas, sementes podres, e três ou quatro pontinhas de relva amarelada encharcada em mijo de gato.
Neste momento, a solitária é capaz de ser a planta com melhor aspecto cá da casa...