quinta-feira, julho 21, 2005

Fez-se luz

"Se Thomas Edison tivesse nascido hoje, estaria na sala de espera de algum director de marketing que lhe diria que a lareira era bem melhor." - Roberto Medina

terça-feira, julho 19, 2005

O meu amigo Cruz

Costuma dizer-se que há um cada grupo, mas eu não acredito nisso: o Cruz é só nosso - meu, dos meus amigos, e de mais ninguém!
No entanto, sou da opinião que cada grupo deveria ter o seu! É até um desejo que tenho: "Um Cruz por cada círculo de amigos"!
Por isso, se queres um Cruz no teu grupo, aqui vai a receita:
  • Só existem duas estações do ano: a fria e a quente. A roupagem na estação fria é composta por uma calça de ganga, uma qualquer t-shirt de uma qualquer Junta de Freguesia e uns tenis. Pode dar-se o caso de haver uma camisola mais quente, mas tem que ter obrigatoriamente o motivo Estrela Comunista. A roupagem da estação quente é mais simples, composta por uma t-shirt igualmente de uma qualquer Junta de Freguesia ou de alguma oficina da margem sul, uma calça/calção comprido e um par de chinelos.
  • Adereços que fazem parte de qualquer estação: barba por fazer, um capacete, uma mochila com um compartimento exterior para guardar dinheiro de países mais pobres que o nosso, um maço de Marlboro, um estranho isqueiro com fotografias de frutos e uns óculos de massa, se possível com uma aste partida, delicadamente colada com fita-cola.
  • Há que haver uma constante procura de engates nocturnos! Mas estão enganados se pensam que é um engate qualquer, naaaa!! Terá que habitar em cada Cruz muitos heterónimos, que podem ser cabeleireiros, fotógrafos, vagabundos... Mas com classe!
  • Onde houver mulheres loiras, ele está lá!
  • Onde houver mulheres morenas, ele está lá!
  • Onde houver mulheres ruivas, ele está lá!
  • Onde houver mulheres carecas, se a bebida for muita, ele está lá!
  • Cerveja, muita cerveja...
  • Palavras e expressões altamente ofensivas, diria mesmo cavernosas. No entanto, este domínio vocabular tem que ser aplicado minuciosamente, no tempo errado, à pessoa errada, num local totalmente errado.
  • Dançar: ritual habitualmente acompanhado de cerveja, que implica todo um movimento de alçar a perna ao próximo. O olhar é muito importante, normalmente desfocado.
  • Se há objecto que fascina um verdadeiro Cruz, é um mapa! Sim, porque se pensam em viajar, o Cruz tem que ser a pessoa do mapa. Recusa-se a perguntar direcções, e não partilha mapas com ninguém! Só ele sabe o caminho! Só ele é o caminho!
  • A mania dos números e dos cálculos é uma pista fundamental para a escolha do Cruz no teu grupo. Tem que ser aquele que sabe quantas calorias tem uma laranja sem casca!

Podem haver muitas imitações por aí, no entanto, se por acaso te cruzares com O Cruz no Bairro, com o verdadeiro, é impossível não o identificares. Se decidires aproximar-te, cautela! Porque ele também morde!

sexta-feira, julho 08, 2005

A minha vida desde 2 de Agosto de 2004

Domingo:
Dia mau. Ressaca da noite de Sábado. Neura por ir trabalhar no dia seguinte.
Segunda-feira:
Dia assim-assim. Acabou o fim-de-semana. Já estava preparada para o início da semana, afinal o dia anterior foi todo a pensar nisto.
Terça-feira:
Dia Mau. A preparação foi só para Segunda-feira. Falta mais de metade da semana para chegar Sexta-feira.
Quarta-feira:
Dia bom. É o meio da semana, metade já lá vai!
Quinta-feira:
Dia assim-assim. Já estou morta. O que me dá alento é pensar que amanhã é Sexta-feira.
Sexta-Feira:
Dia Bom. Já me sinto de fim-de-semana, o tempo passa a correr e ao fim do dia sou uma pessoa livre!
Sábado:
Dia muito bom. Saber que amanhã ainda é fim-de-semana é um alívio.

terça-feira, julho 05, 2005

Como gente grande!

Não sei como nem porquê, mas um dia acordei e era adulta.
De repente tinha um cartão da Segurança Social para tirar, uma inscrição nas Finanças para fazer, uma conta no banco para abrir, coisas para descontar, outras para declarar, outras ainda para pagar e facturas para guardar - durante 5 anos, dizem eles...gente que tem aquela doença de atulhar lixo em casa até eventualmente ser encontrado morto por asfixia, digo eu.
Finalmente endendi que tudo aquilo que eu achava aborrecido no passado: comprar o selo do passe, tirar fotografias para as fichas dos professores, as filas para renovar o BI, etc, não era mais que uma preparação para o que ainda estava para vir, e que eu, na minha cabecinha cheia de Bon Jovi e cigarros fumados às escondidas na casa de banho do liceu, nem imaginava!
Como pessoa totalmente preparada para a mudança, que sou, experimentei em frente ao espelho o melhor ar de adulta que consegui. Mas quando dei por mim às 8:30 da manhã numa sala a cheirar a pombas mortas, com uma senha D00077 na mão, os olhos pregados a um ecrã que apita cada vez que muda o número, percebi que não ía ser assim tão fácil.
Se a porra do sítio abre as 8:30 e eu estava lá dentro exactamente a essa hora, expliquem-me como é que tinha 76 pessoas D à minha frente! Aquela gente dorme lá? Será que tinha que ter pago a alguém para ter uma senha decente? Deve haver alguma candonga nisto, só pode!
Entre cigarros e cabeçadas na porta de vidro da Segurança Social, esperei duas horas e meia para que finalmente o ecrã apitasse o D00077. Sentei-me em frente a uma senhora cinzenta e tentei perceber se o cheiro a pombo morto emanava dela.
Devia estar um bocado distraída, porque quando voltei à realidade, a senhora cinzenta olhava fixamente para mim, e sem qualquer sorriso disse: Sim?!?
Eu tenho o maior respeito pelos funcionários públicos. É gente que tem todas as regalias, mas não o pode demonstrar, tendo que esconder tamanha felicidade numa cara trombuda. Trabalho difícil, coitados!
Respondi: Ah, pois...olhe, eu precisava do meu número da segurança social, porque lá no trabalho...
Ela arrancou-me da mão o formulário previamente preenchido, carimbou-o e disse-me secamente: Segundo Andar.
Duas horas e meia para um carimbo...e lá fui eu para o segundo andar, que afinal nao era mesmo no segundo andar, mas no terceiro, porque parte do segundo estava em obras, e como havia imensa poeira decidiram mudar os computadores para o terceiro andar e deixar somente a papelada no segundo, porque os computadores podiam estragar-se enquanto que aos papeis era só dar-lhe uma espanadela e pronto, como novos... - sim, eu ouvi isto...
Chegada ao segundo/terceiro andar, sou acolhida por outra senhora cinzenta, à qual expliquei o motivo da minha presença. A senhora riu-se na minha cara e informou-me: Ai quer o número agora?! Tem ideia de quantos processos temos em cima da mesa à espera de ser passados para o computador?
Pausa. Olhei incrédula para senhora cinzenta, que me disse prontamente: O que eu lhe podia fazer era colocar a sua folha por cima das outras...
Fui-me embora. Mais uma vez sem perceber se devia ter pago qualquer coisa a alguém...

PulpFashion!

Agora sim, sinto-me fashion!
Posso opinar em voz alta em qualquer conversa de café, fazer danças tribais nas Festas da Comuna, voltar a usar All Star amarelos, desfilar alegremente em manifestações de esquerda, usar e abusar da franja, comprar uns óculos escuros maiores que a minha cabeça e, quem sabe, arranjar coragem para vestir calças de licra com elástico nos pés!
Porque não?
Agora tenho um blog!!!