quarta-feira, março 09, 2011

O descaramento

Entra-me para aqui com um bronze obsceno e um vestido colado ao corpinho de sereia. A puta!!
Odeio gente que me acentua a flacidez e o tom esverdeado da pele.

quarta-feira, fevereiro 16, 2011

Diz-me com quem andas...

I. - Hoje almocei com o Mário Crespo!! Comemos garoupa assada!
S. - Sério?! Adoro garoupa assada!
Eu - Ó S., a I. almoçou com o Mário Crespo e tu estás entusiasmada com a garoupa assada??
S. - O que é que querem, eu não gosto do Mário Crespo! Odeio quando ele se põe a apresentar a meteorologia: "e neste dia, há 1532 anos, Georges Jacques Danton entra para a política como presidente dos cordeliers"... E as pessoas cegas?? Como é que as pessoas cegas sabem se amanhã faz sol ou faz chuva?!?!

segunda-feira, dezembro 27, 2010

Do Natal

Sobrevivi à exposição familiar intensa da época sem tocar num cigarro.
É milagre, estou curada!

sexta-feira, dezembro 03, 2010

Tic Tac Tic Tac...

Hoje sonhei que cheirava a cabeça da bebé de uma amiga minha. Enterrava o nariz na moleirinha da miúda, entre os cabelinhos aloirados e inspirava fundo, toda contente. Enfim, sonhei que snifava a criança...
Putas das hormonas, pá!

terça-feira, novembro 23, 2010

Deixei de fumar

E deve ter sido a pior decisão que tomei na vida, sem contar com a de começar a fumar.
Estou insuportável. Inquieta. Ansiosa. Irritadiça. Impaciente. Desconsolada.
O que fazem as pessoas que não fumam enquanto esperam? Na semana passada fui praticamente a pé para casa, de paragem de autocarro, em paragem de autocarro, só para não ter que ficar à espera do 56.
Na rua, roço-me em fumadores desconhecidos e no outro dia dei por mim a cheirar um maço de tabaco de olhos fechados. Aquele que ficou a meio, quando tive a ideia peregrina de deixar de fumar e que à noite, quando todos dormem, fala comigo e me diz "Anda cá ó gordinha!". Os bolos também me acenam das montras das pastelarias. Gente boa.
Comi 3 caixas de pastilhas de mentol num só dia e fiquei com uma afta na língua do tamanho de uma neoplasia gigante, que me deixou a falar como se tivesse sobrevivido a um AVC. E agora, como me disseram que ajuda beber um copo de água por cada vez que me apetece um cigarro, ando a ver arrastadeiras fuschia na net. Não sei quem me contou essa dos copos de água, mas eu sou daquelas pessoas que na aflição papa tudo o que lhe dizem.
Intelectualmente estou a tornar-me numa pessoa desinteressante uma vez que, independentemente da conversa, tudo o que consigo pensar resume-se a "Fumo. Não fumo. Fumo. Não fumo.", enquanto tento inalar tubos de escape de camiões betoneiras e chaminés de fábricas.
Para ajudar à festa, parece que deixar de fumar engorda.
Não sei se já tinha dito: estou insuportável!

quinta-feira, outubro 28, 2010

Gajas boas de fio dental

Depois do milagre da multiplicação na caixa de comentários do post anterior, confesso que o meu ego não vai resistir se o fenómeno não se mantiver. Vai daí e resolvi finalmente dar uso aos conhecimento adquiridos no mestrado de marketing e a modos que tudo muito bem espremidinho saiu isto: "gajas boas de fio dental". E acabei de resumir tudo o que consigo fazer com a minha formação.
Pretendo com isto atingir outros leitores, apelando aos corações (e outros órgãos) das criaturas que vão ao Google pesquisar por "gajas boas de fio dental". Aproveito esse target e vendo publicidade no blog a empresas de lenços de papel e cuecas descartáveis.
Como os que continuam a ler este monte de merda já se devem ter apercebido que isto não vai a lado nenhum, vou ali actualizar o meu curriculum com uma nova alínea que espelhe a minha nova expertise em Google Analytics.
Ah, eu na verdade vinha mas era escrever sobre os cartazes da Sacoor com o Rob Lowe, mas posso resumir a minha opinião em 3 palavrinhas e ficamos já despachados: Bom, mas bom!

quinta-feira, setembro 09, 2010

O pipi

O pipi é aquele sítio onde acontecem coisas boas e donde sai o xixi e os bebés, certo?
Pois.
Segundo as clínicas de estética que fazem depilação "definitiva", o pipi divide-se em zonas a depilar. A saber: virilha, púbis e órgão genital.
Para as patarecas a submeter ao laser, logo à partida, levantam-se uma série de questões pertinentes, entre elas: se eu escolher as zonas púbis e virilhas, o que é que fica a sobrar do órgão genital?
Esta mania de não chamar os bois pelos nomes cria confusão na minha pessoa singela, e a coisa não se fica pelo pipi. Espantem-se: existem sítios, que nem sei o que são ou onde são e que, com a sorte que eu tenho, de certezinha que tenho lá pêlos: piramidal, mento, zigomáticos, linha alba e sacro.
Ora, eu que achava que era só ligar para lá e perguntar anonimamente quanto custa depilar o pipi para sempre, afinal deparei-me com a situação constrangedora de ter que lá ir pessoalmente, de virilha entufada, baixar as cuecas e pedir delicadamente a uma senhora que me catalogue as zonas do pipi.
Eu pensava que o episódio não podia piorar, mas quando dei por mim deitada numa maca, com uma desconhecida de bata branca a rapar-me a virilha com uma gillette, percebi que a vida tinha ainda, guardadas da manga, formas incansáveis de me enxovalhar .


quinta-feira, agosto 12, 2010

Rotinas

Ele - Lavas a loiça?
Ela - Eu fiz o jantar!
Ele - Mas eu trato da roupa!
Ela - E eu pus a mesa!
Ele - Mas eu fui às compras!
Ela - E eu faço sempre a cama!
Ele - Mas eu é que aspiro sempre!
Ela - E sou sempre eu que troco a areia aos gatos, ora essa!
Ele - Porque os gatos são teus!
Ela - Ai é? Então só lavo o meu prato, o meu copo e os meus talheres.
Ele - E o tacho? Também só lavas metade?
Ela - Lavo só a tampa e tu lavas o resto!
Ele - Ai é? Se é assim, só despejo a minha parte do lixo.
(amuo)
Ele - Está a dar o Dr. House.
Ela - É pá, lavamos a loiça amanhã.

quarta-feira, agosto 04, 2010

Silly Season


Para mim, pode ser um deste para usar este verão.
Obrigada.

terça-feira, agosto 03, 2010

É porque gosta mesmo de nós

Filho da puta ó cabrão! Estes gajos, pá! Fónix, palavra de honra, estes gajos... nunca há bófia quando é preciso. Isto não vêem eles. Estes gajos não vêem eles! Tá quieto...

A senhora desculpe, mas é que a gente anda nesta vida e é só stress, entende? Eu até era uma pessoa.. tou-lhe a dizer, era uma pessoa que nunca dizia asneiras. Mas depois... são muitos anos disto, sabe? E a senhora tava aí tão caladinha que eu nem dei por si e escapou-me. Desculpe lá, sim?

Ainda por cima a senhora parece, não me leve a mal, assim cheia de etiquetas e o raio. Quero dizer, assim chique. Eu só reparei porque já é raro a gente levar pessoas dignas na viatura, mulheres e tudo. E às vezes um gajo apanha com cada uma! Oh, a gente fala das que leva aqui, mas às vezes lá em casa não tem melhor!
A minha mulher um dia passou-se da marmita e partiu-me os vidros todos do carro. Não é deste, que este é do patrão. Também ai dela, que eu juro que não gosto de bater em mulheres, mas às vezes até nos passa uma coisinha má plos olhos e qualquer dia, eu já lhe disse, vai tudo a eito. Deus me livre, que eu não gosto de bater em mulheres.
Ela descobriu que eu andava com outra, que ainda por cima era mais nova que ela, e vai de me partir os vidros todos do carro, até este aqui da frente. Foram mais de 500 contos no arranjo.
As mulheres são do diabo. Não duvide, que eu tenho 46 anos e conheço-as bem, Quando ficam com ciúmes, parece que a gente nem as conhece, são capazes até se for preciso de matar. Tou a falar a sério!

Olha-me aquele... Oh tagarela, não sabes que a conduzir não se fala ao telefone!? Estes gajos têm grandes carrões e acham que podem fazer tudo. São os réis da estrada, queres ver. Depois, se for preciso, lá em casa é a mulher que manda nele.

Na minha casa é assim: eu não sou muito exigente mas, no mínimo, se eu saí da casa da minha mãezinha por uma mulher, ela tem que me tratar igual àquilo que a minha mãe me tratava. Comigo só resulta dessa maneira e é assim.
Até que conheci a minha mulher. E ela vinha mal habituada lá da casa dela e chegou até a recusar-se a passar-me as camisas. E eu pra ela "O quê??". Disse-lhe "Preciso de camisas para ir trabalhar", era quando eu trabalhava na restauração, "nunca passei a ferro e não vai ser agora que vou começar". E ela nada!
E a gente começa a fazer contas à vida, porque quando casámos era tudo bom: tinha um corpo jeitoso e era linda de cara, só que tinha um feitio danado. E a gente ao princípio não liga, mas depois é que as pessoas se revelam.
A minha mulher soube logo desde o princípio que eu tinha outras, e a coisa andava. Nunca faltei com nada lá em casa. Mas quando lhe cheirou que eu estava a ficar preso à outra mais nova...
E eu tava mesmo a ficar quase apaixonado, tá a ouvir? Atão em casa só levava porrada, no sentido da metáfora, e a outra dava-me todos os mimos e tratava-me como se eu fosse um rei.
Mas quer saber a coisa engraçada? Quando a minha mulher me partiu o carro, ao princípio eu fiquei fod... furioso, não é? Foram 500 contos!
Mas depois... parece que até fiquei a gostar mais dela.
Não sei explicar. Quando uma mulher vai ao ponto de partir o nosso carro à paulada. Caramba, é porque gosta mesmo de nós!

terça-feira, julho 20, 2010

Há dias assim

A TPM (Tensão Pré-Menstrual) deveria ser EFG (Estúpida Feia e Gorda).
Por uma questão de rigor.

quinta-feira, julho 01, 2010

Ai.

Estava a decorrer o meu regado jantar de aniversário, quando liga a sogra. Assim que encostei o telemóvel ao ouvido, a senhora desatou a cantar os parabéns, à capela, de uma ponta à outra.
Os presentes juram a pés juntos que eu respondi da seguinte forma:
"Ééé pááá! Pronto, pronto! Ó D. Sogra, não me vai levar a mal: você cozinha que é uma maravilha... já cantar é que tá quieto! Há há há!!".
Ai.

quarta-feira, junho 30, 2010

29

Pessoas: "Então, que tal ter 29 anos?"
Eu: "Espectacular, pá! Estou cada vez melhor!"

A verdade é que desde que fiz 29 anos, Portugal saiu do Mundial, vomitei entre 2 carros em plena Bica, o meu cócó anda esquisito, ando de ressaca e não consigo dormir como deve ser por causa do calor. E ainda só passaram 2 dias!
Por isso, se não for muito incómodo, gostava de ter os meus 28 de volta e não se fala mais nisso.

sexta-feira, junho 11, 2010

Dos Santos

A pessoa mora em Alcântara e pensa que já viu tudo: Sandros e Márcios, Sílvias e Vánessas, gente capaz de matar animais de médio porte só com o hálito, drógádos e bêbados, senhores de chinelos e roupão a cheirar a xixi de gato e até velhas a gritar "vai lavar a xôna".
Até que um dia vai a um arraial na Bica. E Deus me perdoe, mas há por lá gente que no resto do ano está fechada em caves húmidas e é alimentada a ração seca do Mini Preço.
Consanguinidade, meus caros. Consanguinidade.

quarta-feira, maio 12, 2010

Um abraço



A presença da minha mãe não está confinada às estórias que contamos sobre ela, à aliança na minha mão direita ou às fotografias nas molduras lá de casa.
A maior parte das vezes é reconfortante. Como quando me olho no espelho e vislumbro o rosto dela no meu, como uma espécie de aparição, ou quando a minha gargalhada sai surpreendentemente cristalina como a dela, ou quando reparo que tenho o mesmo tique que ela a fumar e os meus dedos, depois de poisarem o cigarro na boca, o largam por um instante quase imperceptível, enquanto inspiro o fumo.
Outras vezes é esmagadora. Como no outro dia, na fila do supermercado. Atrás de mim estava uma mãe com um filho de 12 ou 13 anos e conversavam descontraidamente enquanto punham as compras no tapete rolante. Às tantas, a mãe puxa o miúdo e dá-lhe um abraço terno, seguido de um beijo na cara e de um "a mamã gosta muita de ti". O miúdo, meio envergonhado, dá-lhe uma festinha na cara e diz "eu sei mãe". Sentindo-se observados por mim e pela rapariga da caixa, que sorria com a ternura, continuaram a conversa sobre o que fazer para jantar.
Aquela mãe tinha o olhar da minha, quando dizia ao meu irmão "amo-te". E aqueles braços eram os mesmos que o apertavam contra o peito e lhe seguravam a cara para a encher de beijos. E num segundo, os meus olhos queriam rebentar de lágrimas e a garganta explodir num grito.
Está tudo bem, perguntou a rapariga da caixa.
São alergias, respondi eu.
A mãe do miúdo sorriu para mim. Ela sabia.

sexta-feira, abril 16, 2010

A minha colega*
Eu digo: Viste aquilo da erupção do vulcão?
Só que ela percebe: Viste aquilo do cão em depressão?
Então responde-me: Não vi. Os animais às vezes têm cenas estranhas e até tomam medicação.
E eu pensei: Ela está a falar dos animais, porque os bichos pressentem os desastres naturais.
Então respondi: Pois. Até estão a fechar aeroportos, por causa das cinzas.
Ela, espantada: Como assim?? Cremaram o cão??
E eu: Cão? Qual cão??!

*e amiga :)

quinta-feira, abril 15, 2010

Random

Vou passar o fim-de-semana com o meu pai. Tenho saudades dele, mas não daquela casa. A D. Teresa diz que a minha mãe às vezes anda por lá, em robe cor-de-rosa, e que isso a conforta. A mim mete-me medo. Tenho que fazer desaparecer aquela cadeira de plástico onde ela costumava estar, até porque não há memória de nunca mais ter sentado alguém. De que valem as coisas se ninguém se serve delas? Aquela casa tem coisas a mais. A culpa é do meu pai que parece que colecciona jornais e revistas. No Sábado, ao jantar, vou enumerar as vantagens da reciclagem para fingirmos que ninguém deu conta que a cadeira de plástico já não está lá. Sei que vamos ficar todos muito mais aliviados, porque não há espaço mais vazio do que aquele que a cadeira ocupa.

segunda-feira, abril 05, 2010

Mulher leoa. Mulher falcão.

Força da natureza. És como o vento, leve perfume afagas o rosto e vendaval furioso de arremessas. Generosa. Na gargalhada, no amor, na verdade. Leal e companheira de luta, de qualquer luta. Cavaleira andante, as tuas armas estão sempre em riste. Combates moinhos e injustiças com os teus pés de Valquíria. O teu corpo é uma praia. Mulher roliça, braços firmes, seios cheios de mãe. Corre-te sangue de preta nas veias e no cabelo. Corre-te sangue de preta na dança. Os palavrões saem da tua boca em música. Terna e pecadora acreditas nos sonhos e consolas-te nos poetas.

Para a J.

sexta-feira, março 19, 2010

O meu pai é melhor que o teu!

Os homens fascinam-me. Não no sentido rebarbado da questão. Ok, um bocadinho, mas não é disso que estou a falar. Quero dizer enquanto seres fortes, com mãos grandes ásperas e cabeludas que dão festinhas, com bocas que picam mas dão beijinhos, com vozes grossas que acalmam e com sobrancelhas desalinhadas que emolduram olhos meigos.
Os homens da minha vida são assim, uma espécie de ogres com doçura.
Dizem que as meninas, quando são pequenas, têm uma paixão assolapada pelo pai e comigo foi assim. Um dia, o meu pai levou-me à escola e eu, de mão dada com ele, disse alto e em bom som para a sala toda "este pai é meu".
E quando a minha mãe me ralhava, eu respondia toda cheia de mim "eu só gosto do meu pai". E enfatizava o "meu", enquanto levantava o sobrolho, para não haver confusões.
Depois passei por aquela fase da queda do mito, em que descobri que o meu pai não era perfeito, também se enganava e não sabia tudo. O que foi um bocado complicado, tendo em conta que eu contava lá na escola que o meu pai lutava judo e karaté especial dos ninjas, tinha um armário com armas ainda mais grandes que as da polícia, era amigo do Mário Soares e tinha um carro que andava a mil à hora, feito com bocados de foguetão com um turbo que deitava fogo pelo escape.
A minha adolescência foi um período de grande afinidade entre nós. Deixou de ser só o "pai" e passou a ter outra dimensão para mim: de pessoa. Descobri que tinha estórias incríveis para contar, aventuras e desventuras, opiniões, coisas que me irritavam, sentido de humor. Percebi que a maior parte dos meus traços de personalidade eram fotocópia dos dele. Basicamente eu sou o meu pai com mais cabelo, menos barriga e de saias!
Desculpa as minhas falhas, porque são as mesmas que as dele. Entende as minhas desilusões porque é um sonhador irrealista, como eu. Mete-se com toda a gente, é atrevido, provocador, não resiste a uma piada bardajona, e se for em público melhor ainda. É das poucas pessoas que me consegue embaraçar!
Este pai que eu adoro e que morro de medo de perder, nem imagina o quanto a sua alegria de viver me contagia.
Por isso e porque sou uma menina do papá, o Dia do Pai, para mim, é todos os dias!

domingo, março 14, 2010

Eu também, tá?!

Ele é facebook, blogues, twitter, gente a exibir passes/convites pelo Bairro Alto fora - com especial incidência à porta do Maria Caxuxa -, a gritar das janelas, a pintar nas paredes dos prédios, a tatuar na testa dos filhos, a comentar "acidentalmente" com a empregada do café e a escrever nas portas das casas de banho: Eu estive na ModaLisboa!