sexta-feira, maio 29, 2009

Patarecas




Ir a Bangkok e não ir a um Pussy Show é como ir a Roma e não ver o Papa. A analogia é um bocado infeliz, mas a vida é feita destas coisas.
Para quem não sabe, um Pussy Show (ou Ping Pong Show) é um espectáculo, chamemos-lhe de variedades, vá!, onde senhoras tailandesas fazem habilidades com o seus pipis talentosos.
Não se entusiasmem nem se iludam! Aquilo tem muito pouco de sensual.
As senhoras não têm grande sentido de espectáculo, que é como quem diz, estão basicamente a borrifar-se para o público: exibem lingerie pior do que a minha do ginásio, falam umas com as outras no meio do show, mascam pastilha elástica de boca aberta, "dançam" visivelmente entediadas entre as actuações e o adereço de palco consiste numa toalha de mãos - que serve para apoiar os joelhos ou as costas, consoante o truque - com aspecto de trapo velho para pintar o cabelo.
E o que fazem tais paratecas sabichonas? Rebentar balões, fumar, soprar apitos, abrir caricas de garrafas, desenhar, tirar bolas de ping-pong e acertar em baldinhos, tirar km de corda com flores fluorescentes, enfim, tudo utilizando habilmente o seu pipi.
Quem assiste, está num constante misto de incredibilidade e admiração, tem geralmente o queixo descaído e os olhos esbugalhados, balbucia frases do género: "ela não vai fazer isto...", "mas aquilo cabe tudo ali?", e tem a certeza que ninguém no Ocidente vai acreditar que aquilo aconteceu mesmo.
Vim da Tailândia uma pessoa muito mais esclarecida acerca do potencial do meu pipi. O que aliás dá um jeitão, para quem, como eu, vive num T1 e tem pouco espaço para arrumar a roupa de Inverno.
Bom. Parvoices à parte, foi giro! Vá, um bocadinho badalhoco.
Mas giro!

segunda-feira, maio 25, 2009

A minha casa

Não sou saudosista de Macau.
Vivi lá a minha adolescência, muito feliz. Mas em 1999 voltei para Portugal cheia de vontade de abraçar um novo desafio. Adaptei-me a uma nova cidade, a um novo clima, a novos amigos que ainda o são e a viver sozinha. Adoro viver em Lisboa.
No entanto não estava à espera que, 10 anos depois, voltar a Macau fosse como regressar a casa.
Foi um sentimento que me desconcertou. Uma sensação de pertença àquela terra, aos cheiros, ao ar abafado, àquelas ruas, à confusão e às pessoas, aos sabores, à língua.
Macau está muito diferente. Aquela terra cresce da noite para o dia, molda-se, transforma-se, implode e explode, nasce e morre mil vezes.
Mas continua a mesma.
A minha Macau. A minha casa.