sexta-feira, janeiro 23, 2009

Speak English?
A minha mãe não falava ingês. Percebia umas coisas tipo "i love you" e pouco mais, mas não o suficiente para ter uma conversa.
Quando chegámos ao aeroporto de Hong Kong pela primeira vez, quis ir à casa de banho e pensava que WC era uma expressão universal e que toda a gente iria entender. Nós ficámos à espera dela tanto tempo, que resolvi dar uma vista de olhos em redor a ver se a via.
Afastei-me um bocado, ouvi umas risadas e deparei-me com uma cena tão típica dela que é impossível não me lembrar disto cada vez que vou à casa de banho de aeroportos. A minha mãe, toda senhora em saltos altos enormes e mala a condizer, quase de cócoras, em frente a três chineses perdidos de riso e a gesticular "WC, yes?Xixi, yes?! Onde?! Xixi, please!!".
Ainda, e à pala de não saber inglês, ficou revoltadíssima quando lhe traduzi a música "Hotel Califórnia", que basicamente até aquele dia era a música favorita dela, porque achava que falava de amor. Não queria acreditar que aquela música sinistra tinha sido a banda sonora de tantas noites de slows com o meu pai nas boîtes, e sabe-se lá mais do quê!..
Finalmente, - e ainda no campo musical - se juntar o inglês péssimo da minha mãe ao facto de ter a maior lata do mundo, passo a contar-vos um dos momentos mais vergonhosos da minha vida adulta.
A minha mãe ouvia as músicas que gostava na rádio e depois pedia-nos para comprar o CD. Numa das vezes que não me soube explicar que música queria, convenceu-me a ir à Fnac com ela a ver se a encontrava.
Na verdade, eu questionei-me como é que ela ía adivinhar, só pela capa, em que CD estava a música, mas a minha mãe tinha outra ideia.
Toda despachada, chegou-se ao pé de um jovem bexigoso e perguntou: "Olhe, se faz favor, por acaso sabe-me dizer onde está o CD com aquela música em inglês que passa agora muito na rádio que é mais ou menos assim... Lálalalaálá láráririlailai lálálálá, e no refrão é igual, mas mais mexida?".
Não obstante, quando lhe perguntavam "Speak English?", respondia prontamente "Yes".
Vá-se lá entender as mães!

segunda-feira, janeiro 19, 2009

Ohh Yeeahhh!

Pois é.
O Pulpfashion anda pelas ruas da amargura! Pelo último post até parece que fui ali e não voltei.
Nos entretantos, a saber:
1) Larguei o fantástico mundo do fitness e dediquei-me à saúde. No fundo, duas faces da mesma moeda, só que agora ganho muito mais dinheiro e tenho cunhas nos hospitais. Ah e tal, o que é que isso interessa?! No limite, meus caros, quando ambos precisarmos de um fígado - e esse dia vai chegar -, adivinhem quem fica com ele.
2) Remodelei o quarto. Troquei os so called "moveis de arte sacra" - nome carinhosamente colocado pelo meu amigo L., que jurava a pés juntos que era impossível ter sexo naquele compartimento austero - foram substituídos por "efeito carvalho" do IKEA. Para além do efeito mais leve do decor, de facto redobrei o tesão pelo T. desde que o vi, suado de calça-de-fato-de-treino, a montar o armário de canto de 2,40m de altura. É de homem, pá!
3) Mudei de empregada. E aqui as coisas não correram tão bem. A Rodika, mulher vinda do Leste, de pelo na venta e bíceps de fazer corar a Madona, resolveu mudar de vida e foi tirar um curso de cozinha. Aqui por casa o pelo de gato, o pó, as camisas e a neura tornaram-me tão insuportáveis que acabei por arranjar uma Neusa. Caríssimos, a Neusa é uma anta. Sem querer ser muito má, ela responde a tudo o que lhe digo com um "Ahh!Éééaa!" - ler isto com sotaque brasileiro - como se entendesse tudo e depois é pessoazinha para não fazer patavina do que lhe digo. E de feia?!.... UI!
E pronto! Assim como assim já está a conversa em dia e prometo, assim muito bem prometidinho, que vou ser mais como o Dr. Pedro Santana Lopes e sacrificar a minha vidinha pessoal para vir aqui escrever mais vezes.
Só não me peçam para usar aquele cabelo!