Pedalada pelo Ambiente
Este domingo, limpei o meu karma no que diz respeito a questões ambientais! Todas aquelas garrafas que foram para o caixote azul - daahhh, azul é cor do vidro!! - todas aquelas fotocópias da altura da faculdade que foram para o caixote verde - verde-árvores, árvores-papel... simples, não!?- tudo tu-di-nho mais que redimido! Não devo nada ao ambiente! Podia construir uma termo eléctrica a carvão na Serra da Estrela e outra no Gerês que mesmo assim o ambiente ainda me ficava a dever, a mim, pelo menos uma massagem no rabo.
Explico.
Uma noite destas, estava eu a ver a Oprah quando o T. me pergunta do computador: "Blá, blá blá blá blá?". Eu, chocadíssima com o tema "All New! Mulheres com clitoris tão grandes que na verdade são pequenos pénis mal formados que ejaculam e tudo", respondi: "hum hum...".
Resultado, quando dei por mim, era o número 91 da Pedalada pelo Ambiente, com direito a capacete, saco, boné, caneta, champô (?), colete reflector, e tudo e tudo e tudo! Ou seja, estava inscrita para andar 26 km de bicicleta da Póvoa de Sta. Iria até à Vala do Carregado.
Em pânico tentei desistir da Pedalada, mas o T. convenceu-me dizendo que era "só um passeio", que "não existem subidas grandes", e que como eu andava no ginásio estava "em forma suficiente para aguentar isto e muito mais".
Ah, e que ía ser "muito giro"!
Claro que ao km 5 já eu estava com o rabo em carne viva, a querer desistir e o T. a berrar comigo como se fosse o pai da Vanessa Fernandes: "Não vais desistir! Nem penses que vais desistir! Olha aquela criança de 10 anos a pedalar! Olha aquela gorda a passar-te à frente, pá! Até aquela velha, Mia! Até aquela velha te passa à frente! Anda! Vá, mais depressa!! Mexe-te! Nem penses que vais desistir! Concentra-te!".
Naquele momento tive uma experiência extra-corporal. Vi-me completamente suada, com a cara e o rabo vermelhos, com o capacete a pender ligeiramente para o lado esquerdo da cabeça, a colocar em causa a minha vida conjugal, cheia de raivas incontroláveis e vontades de me espetar de bina contra as valas da E.N. e acabar de vez com todo aquele sofrimento.
Os meus pensamentos foram interrompidos por uma voz do além que dizia: "Caros participantes, tentem não se distanciar do pelotão, por favor!".
Olhei para trás meio confusa e percebi que estava colada ao carro-vassoura, e que o senhor condutor estava basicamente a falar para mim, a última pessoa da corrida.
Isto é bater fundo, meus caros!
Terminei o "passeio", e não fui a última (obriguei o T. a chegar atrás de mim no final), mas para a próxima não contem comigo! Sou pessoa para aparecer no final, para o lanche! E só porque é pelo ambiente, hein!