segunda-feira, outubro 31, 2005

Homens

5 dias sozinha na Exponor fizeram de mim uma pessoa se não mais culta, pelo menos mais informada relativamente ao traje de feira profissinal masculino.
Feito isto, resolvi expôr aqui neste meu e-stand as minhas descobertas, que provavelmente não serão novidade para ninguém, mas de certo terão grande utilidade para quem, como eu, nunca tinha reparado nelas.

- Os casacos de fato dos homens tapam o rabo;
- Os casacos de fato dos homens têm as pontas arredondadas;
- O fundo das calças do fato está normalmente amarfanhado nos sapatos, ou seja, é bem mais comprido do que era suposto (digo eu! às tantas é mesmo assim que se usa);
- 80% dos fatos são cinzento-escuro; 10% azuis escuros; 6% castanhos; 4% naquela côr clara que não se percebe muito bem se é ligeiramente esverdiado, ou amarelado, ou lá o que é. (Nota: este estudo não especifica a percentagem de homens que se apresenta ao mundo feirante com casaco azul escuro e calças bege);
- 70% usam camisa branca com o fato; 25% azul claro; 5% aos quadrados;
- Os portugueses usam a camisa dentro das calças do fato, enquanto que os espanhois a usam fora das calças (com ou sem gravata);
- Gravatas vermelhas mais que muitas;
- Sapatos pretos de pele, envernizados (como se todos os sapatos pretos usáveis tivessem que ser envernizados); ou sapatos castanhos tipo camursa;
- Saldo de berloques nos sapatos: 80%.
Nota: O meu vizinho expositor da frente é excepção a toda esta descrição.

segunda-feira, outubro 24, 2005



AQUI BOU EU, CARAGO!

sexta-feira, outubro 21, 2005

Anda cá fora ó gordinha!


Cheia de vontade de fazer qualquer coisa sem ser comer, trabalhar sentada e dormir, resolvi inscrever-me no Holmes Place mesmo em frente ao escritório.
A mensalidade é pesadota, mas mesmo assim decidi que tinha que investir em mim, nuns tenis porreiros e numa vida minimamente saudável.
Marquei aquilo que eles chamam pomposamente de "Orientação Inicial" e à hora marcada, estava pronta para saber toda a verdade sobre o meu peso e a tortura que teria que passar para me ver livre dele.
Apareceu-me um Francisquinho, 21 anos, todo ele gym fashion, com aquele sorriso de plástico típico das pessoas do Holmes Place.
E desde logo o Francisquinho despertou em mim o que muito pouca gente desperta: a vontade de espetar garfos nos olhos das pessoas.
O Francisquinho convidou-me para uma conversa amena sobre "os treinos", mas na verdade esteve cerca de 40 minutos a tentar vender-me o serviço de PT - Personal Trainer.
Estive 40 minutos a dizer-lhe que não estava interessada, que não tinha paciência nem fôlego para correr na passadeira ao mesmo tempo que falava de tretas com uma pessoa que não me dizia nada, que o que eu ía pagar por um PT duas vezes por semana era um terço do meu ordenado e isso era um luxo que eu não podia comportar, que agradecia que não me tentasse vender mais nada, porque o que eu pagava de mensalidade era o suficiente, que aquela conversa de comercial já me estava a irritar e que não, não e não!
E estive 40 minutos a ouvir o puto a dizer-me que sem PT não ía conseguir perder o peso que queria, que era apenas um pequeno esforço, que sem PT o mais provável era eu fazer os exercícios incorrectamente, magoar a coluna, os joelhos e não obter resultados, e que, imaginem, ficava triste e desiludido comigo se eu não aceitasse ter Personal Trainer.
E eis que chega a altura de ele mostrar tudo o que vale e espetar-me com a frase que lhe devem ter ensinado na formação e tantas, tantas vezes deve ter repetido para si mesmo.
Com o seu ar confiante de "anda-cá-ó-gordinha-que-eu-já-te-digo-como-é-que-é" sai-se com esta: "O que eu lhe estou a vender, é saúde".
E pronto, cheguei ao meu limite, ao ponto de sacar o meu Marlboro da mala e explicar-lhe que o que eu comprava era doença, por isso que ele não me tentasse vender saúde.
O Francisquinho atrapalhou-se, fez um ar de desilusão e deu-me o papel dos preços para eu levar para casa, pensar melhor e depois dar-lhe a resposta no sábado, se queria ou não um Personal Trainer.
Isto aconteceu na mesma semana em que furei o pneu do carro, fiquei dois dias sem electricidade em casa e estava "naquela" altura do mês. Expliquem-me se há alguma ligação entre estes factos!

quinta-feira, outubro 06, 2005

"Oh Bernardo, o menino quer levar um estalo?"


Ao contrário do que é costume, o meu feriado republicano foi passado na praia, a fazer a fotossíntese necessária para manter o pouco bronze que me resta do Verão. Só numa de não chegar a Fevereiro e ouvir comentários sobre a minha peculiar tonalidade de pele transparento-amarela.
Ao contrário do que é costume também, fui para a Morena, na Costa da Caparica, em vez da minha habitual praia dos nús.
Ora, não sei o que é mais constrangedor, se uma praia cheia de pessoas nuas sendo eu o único ser com um trapinho no corpo, ou uma praia cheia de Bernardos, Martins, Carlotas, Carminhos, Salvadores, Madalenas, Marianas, sendo eu o único ser "possidónio" que não diz num tom anasalado "Bituxa, o seu bikini é estupendo".
Verdade seja dita que esse mundo não me é totalmente estranho. Não é "de todo" a primeira vez que tenho contacto com seres anasalados (a minha amiga Raquel não conta, porque tem problemas no nariz), até mesmo na minha famíla lisboeta tenho alguns espécimes que insistem em cumprimentar-me apenas com um beijinho.
E não tenho nada contra essa gente, muito pelo contrário, acho-lhes graça! Mas quando me vejo metida no meio de um amontoado de gente toda vestida de bikinis verde-alface e amarelo, cabelos à surfer-wanna-be, bermudas curtas demais para ser verdade, a cantarolar músicas da Mafalda Veiga e a tratarem-se por "você" independentemente da idade...
...Enfim, nada que um mergulho no mar não tivesse resolvido!

terça-feira, outubro 04, 2005

Ele há semanas...

Citando a minha companheira de (outro) Blog Farfallita, que por sua vez cita outro alguém, que espero que não cite mais ninguém:

"...Há quem ganhe a vida a fazer ilusionismo - consiste em vestir com uma roupagem excessiva e falsa a realidade, de modo a distorcê-la ou a fazê-la parecer mais do que aquilo que é. Quando nos desiludimos não estamos a ser justos nem com as pessoas nem com as coisas...".