sexta-feira, dezembro 02, 2005

O meu feriado dava um filme!

Acordo num espasmo de horror e agarro no telemóvel para ver as horas. São 12:30 da tarde e fico em pânico "Não acredito! Como é que acordei a esta hora para ir trabalhar?". Levanto-me já quase de lágrimas nos olhos e dou comigo a pensar "espera aí, hoje é sábado". Uffff, mas não fico completamente descansada, porque não me parecia sábado "....calma, que dia é hoje? Ah, ok, é quinta-feira, mas é feriado!". Respiro fundo e dou graças aos santinhos por não ter partilhado este momento de insanidade com ninguém.
Preparo o meu pequeno-almoço e das minhas gatas a fazer contas de cabeça às coisas que tenho que fazer: arrumar a casa, ginásio, ir a casa da minha vizinha de Alcântara para a visita da praxe, e quem sabe começar a fazer as comprar de Natal na esperança de não deixar tudo para dia 23.
Nisto recebo uma mensagem da V. que me pareceu mais um S.O.S. "Vem ter comigo às Amoreiras."
Depois de 20 minutos insuportáveis para encontrar estacionamento sem qualquer resultado, mando uma mensagem à V. "Não consigo estacionar em lado nenhum, até o parque está completo. Desisto! Beijinhos", e chego à conclusão que estava a dirigir-me para um sítio qualquer que não sabia onde ía dar.
Para os que não me conhecem, aqui fica um adjectivo que me acenta que nem uma luva: desorientada! Sim, perco-me em Lisboa, perco-me até em centro comerciais e parques de estacionamento. Eu sou assim, uma perdida! É inevitável, e como já estou à espera que mais cedo ou mais tarde aconteça, desde que tenha gasolina e cigarros no carro nem me importo por aí além.
Como a V. insiste que a vá buscar às Amoreiras para irmos tomar um cafezinho a um lado qualquer, tento voltar à casa de partida, o que implicou uma viagem até às torres gémeas, Sete Rios, depois não sei como, mas estava ao lado do estádio do Benfica, depois Telheiras, depois Estrada de Benfica, depois Sete Rios novamente, depois mais meia hora em Benfica, Califa, Lidle, sítios que não entendo, pracetas que nunca vi, uma chuvada torrencial, os meus vidros totalmente embaciados, sofage estragada, sem cigarros, com uma neura que ía até à China, mais cruzamentos sem placas, muita fome....um inferno!!!!!!!!!
Estive uma hora e tal nisto, sem perceber para onde ía e a tomar decisões de direcções que me levavam exactamente ao mesmo sítio onde tinha estado. Mas isto acontece a mais alguém?
5:30h. Estava finalmente com a V., sossegadas num café em Campo de Ourique a pôr a conversa em dia quando me liga o T. "Tens que vir comigo ao Eden, aquilo já começou às 4h, mas não consegui ir mais cedo, anda lá comigo, bla bla bla". Que dizer?
Veio buscar-me a Campo de Ourique e seguimos no carro dele até aos Restauradores. Bem, não posso dizer que a apresentação já tivesse acabado, ainda lá estava o Marocas, a Joana-Não-Sei-Quantas (ela afinal é gira, eu pensava que nem por isso), umas caras conhecidas, outras menos, os típicos que quando passam à porta e percebem que há festa vão entrando, música porreira, mas mais importante que isso, ainda havia salgadinhos! Lá fiz o número e viemos embora.
Nada de ginásio, nada de arrumar a casa, mas como tinha prometido à minha vizinha que passava lá por casa, lá fomos.
Isto obriga-me a apresentar a D. Graça. Bem, é uma senhora de 86 anos que vive com o Sr. Luís - não são casados, mas é como se fossem- que era minha vizinha do meu antigo prédio, em Alcântara. É daquelas típicas que passam os dias à janela a ver quem passa, sabe tudo o que acontece, tem um cão chamado Joli e um piriquito que entretanto deve ter morrido, porque ontem não o vi. A Graça "viu-me nascer" e "criou-me", como ela adora dizer. Como não tem filhos e os sobrinhos não lhe ligam nenhuma, adoptou-me como família, e como tal, pode contar comigo para o que der e vier.
Tem um ódio de morte à vizinha de baixo, a D. Carmo, e em tempos ídos chegaram a pegar-se as duas à pancada escada a baixo. Episódio esse que chegou a envolver polícia e tudo. Enfim, estamos a falar de Alcantara!
Ela tem uma espécie de "negócio paralelo à reforma", tipo empréstimos a altos juros que lhe vai dando uns trocos jeitosos e vive na ilusão que mais tarde me vai passar "aquilo".
Já o Sr. Luís é uma paz de alma de um senhor. É quase surdo por completo, o que neste caso até dá jeito, para não ter que ouvir a Graça!
Bem, continuando... lá convenci o T. a ir comigo à D. graça, o que, passando a repetição, teve a sua graça. Ela deve ter percebido que eu lhe estava a apresentar o meu noivo, porque para além de contar que "me criou" e mostrar as fotografias de quando eu era pequenina, sempre que se referia ao meu irmão dizia-lhe "o seu cunhado", e à minha mãe " a sua sogra".
Espero que o T. não se tenha assustado!
Com a casa desarrumada, o ginásio à minha espera, começei a fazer o jantar.
Eis quando me tocam à campaínha. E eu já a adivinhar, porque se há gente que me incomoda nestas alturas, essa gente só pode ser: o meu vizinho indiano!!!!
Todo nervozinho, a tentar fugir das minhas gatas, completamente típico! Trazia na mão uma declaração para eu assinar, que dizia que eu ía suportar todos os custos das obras da minha casa e da deles. Pois concerteza, é que é já a seguir!
Acordei hoje de manhã, um pouco atrasada para o trabalho. Desci o prédio e fiquei ainda uns minutos a tentar lembrar-me onde tinha deixado ficar o carro.
Até que algo fez clic: em campo de Ourique!!!
Tinha-me esquecido completamente de o ir buscar! Mas alguém se esquece do seu próprio carro??

13 comentários:

Inútil disse...

A senhora da Alcântara nunca ouviu falar no que aconteceu à Dona Branca? E já agora, acho que estás a precisar é de férias.

Mia disse...

Inútil,
Quando eu lhe falei da D.Branca, respondeu-me que o negócio dela era muito mais pequenino, por isso não havia problema.
Quanto a férias...sim, preciso urgentemente! Tens umas que me dês?

izzolda disse...

Hmmm. Nunca me esqueci do carro. Mas também me perco até em sítios supostamente 'conhecidos'.
[E esse teu vizinho indiano só pode estar a bater mal, não?!]

Mia disse...

Izzolda,
Este meu vizinho é completamente anormal!Isto não lembra a ninguém!

Inútil disse...

Não digas "anormal", chama-lhe antes "original", pois há que ter respeito aos mais velhos.
Não tenho férias para mim, quanto mais para te dar!

Kwan disse...

Um filme indiano,portanto...

Mia disse...

kwan,
Eu não diria melhor! :)

Rosebud disse...

Miazinha, desculpa mas fartei-me de rir às custas do teu feriado... :)))))

Cláudio disse...

epá que grande feriado. Eu sei que é chato, mas eu adoro ler as tuas peripécias. Mia no país da desorientação! Muito bom

apipocamaisdoce disse...

As tuas venturas e desventuras já me ajudaram a aguentar melhor esta semana de seca neste trabalho de seca!!! Como eu gostava de conhecer o vizinho indiano. A sério! O que eu me ri aqui sozinha com o "se há gente que me incomoda nestas alturas, essa gente só pode ser: o meu vizinho indiano!!!!". Muito bom!!! lololol! E ele por acaso é daqueles que até cheira a caril e tudo?

Anónimo disse...

So falta explicares como caçaste um amigo para te ajudar a ir burcar o carro! eheheheh beijos!

LM

zephyr disse...

Olha, jah agora... Eu tb queria fazer umas obritas lá em casa, se assinares esse diz qq coisa q eu envio-te outro pa assinares tb... lolololol!!!! Monhé! Monhé! Será q lavas o pé?

Jah Rules
Peace

GrimRipper disse...

Bem estou a ver que essa pele transpira hormonas masculinas... perdida em Lisboa por mais de uma hora, sem perguntar a ninguém como se chega às Amoreiras... nem eu, que após 45min. já parei o carro e sai à procura de quem me indique o caminho. Qto a esquecer o carro... bem há quem esqueça as chaves na ignição, um dia inteiro... e mais de uma vez.