segunda-feira, novembro 28, 2005

Ponto Final!
"No final, só te quero dizer isto: há relações que são para sempre. Mas.... só acrescento o "ainda bem" se as pessoas forem felizes. Há relações curtas e muito felizes e há relações para sempre que são autênticos martírios e que já deixaram, há muito, de ser relações. As relações não se medem pelo tempo, amiga! Medem-se pelo que nos dão e por nos permitirem dar o que de melhor temos. É só por isso que vale a pena viver."
ps- também te amo muito, amiga! :*

quinta-feira, novembro 24, 2005

A Saga
Os vizinhos que moram mesmo por baixo de mim são autênticas sarnas.
Eis mais duas pessoas que despertam em mim a vontade de espetar garfos em olhos alheios. São um casal de irmãos indianos, que devem ter os seus 50 e tal anos e que até há cerca de um ano viviam com a mãe, que entretanto morreu.
Ele é um nervosinho de primeira, fala alto, sempre muito depressa, baba-se e cospe-se imenso, foge das minhas gatas como nunca vi ninguém fugir, e quando bate lá à porta por qualquer motivo, em vez de olhar para mim enquanto falamos, está a tentar olhar para dentro da minha casa sem qualquer pudor.
Quando por um infeliz acaso me encontra no elevador faz-me perguntas do género "o que é que os teus pais fazem?", "a tua mãe está na reforma?", "o carro é teu ou do teu irmão", etc. Eu sempre a tentar driblar a situação, fugir às perguntas sem ser indelicada, mas quando me perguntou onde é que eu trabalhava, não me consegui conter e respondi-lhe: "no circo".
Fiquei com a sensação que ele acreditou!
Ela é simplesmente medonha. Tem sempre mil e uma doenças, tentou por várias vezes vender-me chamuças para as "minhas festas" (?!) e fala igualmente altíssimo.
Uma manhã, estava eu à espera do 49 na paragem do autocarro, quando ela se dirige a mim, sempre aos berros, a dizer-me para eu não tomar banho depois das 11 da noite, hora em que ela se ía deitar, porque era muito doente e não conseguia dormir com o barulho que eu fazia. Acrescentou ainda que o facto de eu passar as noites a arrastar móveis de um lado para o outro também não ajudava.
Enquanto eu tentava processar a informação por forma a não lhe responder com um murro nos óculos fumados, já toda a paragem do autocarro me olhava de lado.
Respondi-lhe, o mais calmamente que consegui, que eu tomava banho à hora que entendesse, e que os supostos barulhos que ela ouvia, não eram dos móveis, mas sim da cabeça dela. Acrescentei ainda que o que não me ajudava nada a mim, era ouvir as discussões dela e do irmão através do respirador que tenho na minha casa de banho. (Por vezes chegam ao ponto de partir coisas lá em casa enquanto berram.)
Chego a pensar que eles na verdade não conseguem é viver sem mim. Ao ponto de agora não me largarem por causa de uma infiltração na casa deles que supostamente vem da minha casa de banho.
Conclusão: dou comigo a estacionar o carro com um olho no lancil e o outro a percorrer o perímetro do prédio para me certificar que eles não estão por perto. Se o caminho estiver livre avanço, caso contrário tento demorar o tempo suficiente para eles desistirem de esperar por mim para entrar. Quando me tocam à campaínha, a não ser que saiba quem é, simplesmente finjo que não estou em casa. De manhã, quando saio para o trabalho, antes de carregar no botão do elevador, fico em silêncio por uns intantes para saber se eles andam por perto.
Alguém quer trocar de vizinhos?

quarta-feira, novembro 23, 2005

Prazos de Validade, Roturas e Stock, Recolhas e Embalamentos desta vida
"Todas as relações têm prazo de validade, Mia.", disseste-me tu, com o ar mais natural do mundo, a concluir uma loooonnngggaaaa conversa de gajas. Fiquei sem saber o que te responder.
Nunca nestes seis anos de amizade te ouvi dizer algo "da boca para fora", sobretudo sobre as coisas que te dizem respeito.
Sempre aceitaste - e quantas vezes aturaste - os meus embróglios emocionais, na maior parte das vezes sem sentido e fundamento. Mas não é do teu feitio explodir os teus problemas e preocupações para cima dos teus amigos. Resolves as coisas dentro da tua cabeça, demore o tempo que demorar, e depois sim, partilhas as tuas conclusões e decisões com quem importa.
Por isso, mesmo quando (pre)sinto que algo não vai bem na tua vida contenho-me ao máximo - e sabes bem o quanto isso me custa - para não te perguntar nada, porque sei que mais cedo ou mais tarde vens ter comigo, com a tua habitual e aparente serenidade dizer-me, por exemplo, que a tua relação tem os dias contados.
Não soube o que te dizer, nem sequer sei se tinha que dizer qualquer coisa, porque mais uma vez não me vieste expôr um problema, mas sim comunicar-me uma decisão. Mas como sei que não esperavas que dissesse alguma coisa, não me preocupo.
Mas mais uma vez fiquei a pensar no que me tinhas dito e a frase "todas as relações têm prazo de validade" não me sai da cabeça. Porque eu não consigo pensar assim. Nem sei se quero pensar assim!
Obviamente que tive relações em que o prazo de validade chegou ao fim, e minto se te disser que não o antevi, muitas vezes antes até de me meter nelas.
Mas decidi deixar de pensar em relações com prazos de validade, porque isso é meio caminho andado para não querer investir nada de mim: nem o meu tempo, nem a minha paciência, nem o meu amor, nem a minha família, nem a minha casa, nem os meus amigos, nem o meu bom humor, nem os meus problemas, nem o meu mau feitio de manhã, nem sequer as minhas gatas. E isso sim,seria uma verdadeira rotura de stock!
Só posso dizer que admiro a tua coragem, sentido prático e clareza de ideias.
Por enquanto, cá no meu mundo de Príncipes e Princesas, ainda acredito que as relações podem ser para sempre! Achas que tenho que crescer?

quinta-feira, novembro 10, 2005

A minha Avó Maria

Eu tinha duas avós, a Elisa, de Lisboa, e a Maria, de Oiã.
A minha Avó Elisa morreu quando eu tinha 3 anos, no entanto é daquelas presenças sempre constantes na minha vida, mesmo antes de eu viver na minha casa actual, que era a dela.
A minha Avó Maria foi, até há poucos anos, uma presença menos constante na minha vida, por um lado devido à distância física que nos separava, por outro devido à pouca atenção que me dedicava, atenção essa que tinha que ser dividida pelos 13 netos.
Quando em 1999 os meus pais foram vivier para Oiã, a minha Avó Maria tornou-se mais presente na minha vida, devido às visitas mais (ou menos) regulares que passei a ter que fazer a Oiã. E foi assim que descobri uma pessoa peculiar dentro daquela figura que sempre tratei de forma mais ou menos formal por Avó.
Conhecida na família como uma mulher rija, de "pelo na venta", ideias fixas e até ditadora, a minha Avó Maria não tinha pena de matar os coelhinhos à paulada, degolar as galinhas - o que horrizava os netos de Lisboa. A minha avó Maria nunca entendeu porque é que a minha prima C. tinha um coelho de estimação se ele não servia para comer, e porque raio é que os meus pais gastaram dinheiro a trazer dois gatos de avião para Portugal se cá gatos não faltavam.
A minha Avó Maria cheirava ao forno de lenha da cozinha velha, bebia sempre vinho tinto às refeições, tinha um buço que picava, as bochechas rosadas e sempre a conheci de avental vestido.
Sempre foi muito devota à Igreja, de tal forma que quando os meus pais casaram pelo civil ela não apareceu no casamento, e sempre fez questão de demonstrar o seu desagrado pelo facto dos meus pais nunca me terem baptizado a mim e ao meu irmão.
Sofreu a morte de alguns filhos, mas o declínio desta mulher-furacão começou quando morreu o meu Avô Zé, companheiro de uma vida.
Foi uma luta enorme para convencê-la a sair do casarão agora vazio, frio e a cair aos pedaços onde viveu toda a vida com o meu Avô. Foram precisas 2 quedas e um ataque cardíaco para a minha Avó Maria perceber que era impossível continuar a viver sozinha.
Faz 87 anos no próximo dia 10 de Dezembro e continua "à espera que Deus a leve", porque não entende o que é que está "cá" a fazer, se o meu Avô "já lá está".
Hoje em dia, de cada vez que a vejo, noto os dias, semanas, meses e anos a passarem por ela. Parece-me mais pequenina e mais distante. Não é nem metade do que era.
Antigamente, quando o meu Avô ainda era vivo, no tempo em que só a via nas férias do Verão, depois de me dar uns trocos "para os tremoços" dizia-me sempre à despedida: "Ai filha, secalhar para o ano já não me vês". Ao que eu respondia: "Oh Avó, que estupidez".
Agora quando nos despedimos não diz nada.
Já não precisa...porque eu sei...