terça-feira, janeiro 12, 2010

Woman Easier

Não quero saber do dinheiro que se gastou em investigação nem dos animais torturados.
Três vivas para as 3 melhores invenções evááá!!
  • Pílula
  • Depilação definitiva
  • Epidural (dizem)

Clap, clap, clap! Vá, agora só falta uma coisa que faça o cócó das meninas ser cor-de-rosa, com borboletas e a cheirar a white musk. :) Gotta love science!

quarta-feira, janeiro 06, 2010

O meu irmão

Quando o meu irmão nasceu, o meu coração deixou de viver no meu peito e passou a estar com ele.
Não o soube logo. Quando somos pequenos o mundo é mais fácil, mas confundimos os sentimentos e as emoções. Ao mesmo tempo que me revoltava com a impunidade que gozam os irmãos mais novos, quando a Professora Fernanda me pediu que fizesse uma composição sobre a minha família, escrevi que se houvesse um fogo na minha casa e eu só pudesse salvar uma pessoa, seria o meu irmão. E era verdade. (Depois acrescentei que a pessoa a salvar imediatamente a seguir seria o Sarafim, o urso. Foi a minha primeira composição afixada no quadro de honra.)
Tínhamos palavras inventadas, algumas não queriam dizer absolutamente nada, mas o som fazia-nos rir até à inconsciência, daquele riso incontrolável e contagiante. Ríamos tanto, que às tantas já nenhum de nós se lembrava do que estávamos a rir. E ríamos mais ainda.
Com três anos de diferença, não é difícil imaginar as bulhas constantes: se há alguém que consegue entrar-me nos nervos é ele. Primeiro ganhava-as eu, depois ele cresceu e ficou mais forte e eu passei a usar a manipulação em vez da força: se há alguém que consegue amolecer-lhe o coração sou eu.
Não temos personalidades parecidas. Ele é o ponderado, o equilibrado, o responsável, o objectivo, o justo. Eu sou aquilo que vocês já sabem.
Mas somos farinha do mesmo saco. Ficamos emocionados com as mesmas coisas, rimos das mesmas piadas, temos os mesmos valores. O meu irmão é "a minha pessoa", a minha cara-metade.
Sei que este amor só é possível, desta forma, com este sentimento de pertença, porque a alegria da nossa infância veio de mãos dadas com o pesadelo que nenhuma criança deveria viver. Isso fez-nos unidos, como soldados e companheiros de guerra. Ninguém, para além do meu irmão, sabe como foi. Acho que estas coisas nos salvam da loucura.
Já andava na faculdade em Lisboa, e às 3 da manhã recebo um telefonema dele, bêbado, a chorar, na festa de final do secundário. Disse-me que me adorava, que tinha orgulho em mim e que eu era um exemplo para ele.
Meio atordoada, despachei-o com uma piada qualquer antes de desligar o telefone. Típico meu. E chorei sozinha. Porque sentia exactamente o mesmo em relação a ele e nunca lhe tinha conseguido dizer, nem sóbria, nem bêbada.
Hoje, o meu irmão é um homem, dos melhores que eu conheço. Anda pelo mundo a perseguir sonhos. Os sonhos dele. Teve a sorte de perceber aos 25, que o caminho que escolheu iria fazer dele um homem infeliz aos 45.
Está longe, o meu irmão. Mas já vos disse: quando nasceu, o meu coração deixou de viver no meu peito e passou a estar com ele.